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domingo, 15 de junho de 2014

Creio que valeu a pena

O assunto começou a interessar, pois Armando estava ansioso por notícias de Beatriz.

— E daí?

— Como você sabe, aquele almofadinha está fazendo de tu­do para convencê-la a vender a propriedade para a firma na qual trabalha. Eles têm planos de transformá-la numa estação de esqui. Só que isso é totalmente contrário aos nossos planos: aquelas terras já pertenceram aos antigos Mendoza e não de­vem ser vendidas a nenhum estranho.

— Não estaríamos tendo este tipo de aborrecimento se você não tivesse vendido a propriedade a Hermes.

— É verdade, mas também jamais teríamos tido a oportuni­dade de conhecer Júlia e Beatriz; creio que valeu a pena. De qualquer forma, Júlia está disposta a nos entregar as ter­ras, mas eu e ela nos preocupamos com certas questões.

— Como assim?

— Betty é como uma filha para mim, só quero o melhor para ela. Em outras palavras: quero vê-la feliz. Júlia diz que a filha só se sente realmente bem aqui nas montanhas e tenho certeza de que você compreende isto muito bem: está no san­gue. O ar das montanhas enche nossos pulmões, o mistério re­nova nossas almas, e a terra nos alimenta em todos os sentidos. E embora não tenha nascido aqui, apegou-se demais à região e pensa como nós. Portanto o problema é: como conseguir que ela continue a morar aqui, o único lugar na Terra onde ela se sente bem?

— Não vejo problema nenhum — Armando respondeu tranquilamente, sem se deixar abalar pelas palavras do pai. — Por que tudo não continua como está? Por que essa agitação toda, agora? Será que Júlia está começando a se cansar da vida do campo e sente falta da vida da cidade grande, onde todos a reveren­ciam e vive cercada de gente grã-fina?

— Não é nada disso, e eu agradeceria se você falasse dela com mais respeito. Na verdade, Júlia acha que Beatriz não tem oportunidade de conhecer muitos rapazes da idade dela mo­rando na fazenda. A garota já tem vinte e dois anos e Júlia acha que já é hora de ela se casar e pensar em ter filhos.

— Ah, não! Outra vez essa conversa? — ele retrucou. — Não vá me dizer que Júlia concorda em nos devolver as terras da família desde que concorde em me casar com a filha dela? É isso?

Roberto balançou a cabeça, desanimado:

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