Ela então sorriu e tomou um gole.
— Ora, tomar cerveja não é nenhuma façanha, Armando. É uma das primeiras coisas que se aprendem ao entrar no segundo grau.
— Para ser franco, foi a segunda coisa que aprendi.
Beatriz sentiu que enrubescia e ficou furiosa. Era uma reação natural dela, incontrolável, mas que muito a incomodava.
— Betty, por acaso não a vi colocar uns picles no lanche? — Mário quis saber. — Eu adoro picles.
Mentalmente, ela agradeceu a ele pela interrupção. Mais alguns segundos, e acabaria se atirando nos braços de Armando, o que, afinal, não estava em seus planos.
— Claro, aqui está.
— Você é um amor de garota. Seu marido vai ser um sujeito de sorte.
Armando ouvia a tudo calado. Detestava vê-la servir o amigo com tanta presteza. Então, resolveu opinar:
— Você tem personalidade; não é como essas que concordam com tudo o que o marido fala.
— Tem toda razão — respondeu Mário, pensativo. — Aliás, jamais me casaria com uma garota boboca, sem opinião própria. E você, Armando, que tipo de garota prefere?
— As de personalidade marcante.
— Alguém assim como Betty?
— Exatamente! — exclamou, entusiasmado. Porém, ao ver a expressão radiante de Betty, recriminou-se por ter se exaltado.
Não esperava que ela tomasse suas palavras como um comentário pessoal. Então, achou por bem mudar o rumo da conversa:
— Tivemos sorte em despistar Dinorah Dora esta tarde, não? Pensei que ele fosse se meter onde não fora chamado.
Mário caiu na gargalhada:
— Tem razão, teria sido péssimo se ele tivesse vindo, não é?
A ironia do amigo atingiu Armando em cheio. Sabia que Mário se referia à sua aparição sem convite.
Beatriz percebeu a intenção de Mário e ficou satisfeita, mas preferiu não pressionar Armando. Naquele momento, alegrava-lhe saber que era o tipo de garota que o atraía, caso estivesse pensando em se casar.
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