Na faculdade, Beatriz tivera várias aulas de primeiros-socorros, o que era bastante útil, já que viviam afastados da cidade. Não que uma distensão muscular fosse caso de vida ou morte, mas ficava satisfeita em poder aliviar-lhe a dor.
— Desabotoe mais um — disse, ao perceber que a camisa lhe tolhia os movimentos.
Mais do que depressa, Armando desabotoou todos os botões remanescentes e tirou a camisa, pondo-a sobre a mesa:
— Você não se incomoda, não é?
Um brilho estranho que havia nos olhos dele a deixou insegura. Porém Beatriz nada comentou.
— Claro que não — garantiu, dizendo a si mesma que o melhor era tratá-lo como se fosse uma pessoa qualquer.
Pena que seu coração não entendesse esse tipo de racionalização e continuasse a bater disparado. Por mais que se reprimisse, era impossível deixar de tratá-lo com um carinho todo especial.
Adorava sentir aquela pele macia sob os dedos. Num movimento suave e circular, massageava-lhe o pescoço e os ombros largos, fazendo-o gemer de alívio.
Armando, por sua vez, fechou os olhos e entregou-se àquele toque mágico, mais sensual do que terapêutico. Totalmente entregue, abandonou-se àquele prazer intenso.
As mãos dela escorregaram para a frente e começaram a massagear-lhe o peito. Beatriz adorava enroscar os dedos naqueles pelinhos macios.
— Você é tão peludo que nem parece descender de índios — ela comentou, entretida com a massagem.
— É verdade...
Distraidamente, ela acariciou-lhe um dos mamilos. Torturado pelo prazer, mas temendo assustá-la, Armando manteve-se calmo, limitando-se a prender o fôlego.
Como pôde enganar-se tanto tempo, negando a si mesmo que a amava?
Armando chegara ali tão nervoso, ansioso, e agora, no entanto, graças a ela, esquecera-se até do motivo que o levara à casa dela. Naquele momento, só desejava desfrutar daqueles instantes verdadeiramente mágicos em que o mundo parecia girar mais devagar.
Deixando-se levar pela intuição, Beatriz instintivamente permitiu que suas mãos deslizassem em direção à cintura dele. Seguindo a faixa de pelos sedosos que lhe cobriam o peito. No entanto, ao senti-la tocar-lhe a fivela do cinto, Armando segurou-lhe o pulso com força e, trazendo-a para si, sentou-a em seu colo.
— Você está entrando em território perigoso — disse-lhe sorrindo, e beijou-lhe as mãos.
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