Ei!, espera aí Isso aqui NÃO é um mangá!

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terça-feira, 24 de junho de 2014

Prender o fôlego

— Seu desejo é uma ordem.

Na faculdade, Beatriz tivera várias aulas de primeiros-socorros, o que era bastante útil, já que viviam afastados da cidade. Não que uma distensão muscular fosse caso de vida ou morte, mas ficava satisfeita em poder aliviar-lhe a dor.

— Desabotoe mais um — disse, ao perceber que a camisa lhe tolhia os movimentos.

Mais do que depressa, Armando desabotoou todos os botões re­manescentes e tirou a camisa, pondo-a sobre a mesa:

— Você não se incomoda, não é?

Um brilho estranho que havia nos olhos dele a deixou inse­gura. Porém Beatriz nada comentou.

— Claro que não — garantiu, dizendo a si mesma que o me­lhor era tratá-lo como se fosse uma pessoa qualquer.

Pena que seu coração não entendesse esse tipo de racionali­zação e continuasse a bater disparado. Por mais que se repri­misse, era impossível deixar de tratá-lo com um carinho todo especial.

Adorava sentir aquela pele macia sob os dedos. Num movi­mento suave e circular, massageava-lhe o pescoço e os ombros largos, fazendo-o gemer de alívio.

Armando, por sua vez, fechou os olhos e entregou-se àquele to­que mágico, mais sensual do que terapêutico. Totalmente en­tregue, abandonou-se àquele prazer intenso.

As mãos dela escorregaram para a frente e começaram a massagear-lhe o peito. Beatriz adorava enroscar os dedos na­queles pelinhos macios.

— Você é tão peludo que nem parece descender de índios — ela comentou, entretida com a massagem.

— É verdade...

Distraidamente, ela acariciou-lhe um dos mamilos. Tortura­do pelo prazer, mas temendo assustá-la, Armando manteve-se cal­mo, limitando-se a prender o fôlego.

Como pôde enganar-se tanto tempo, negando a si mesmo que a amava?

Armando chegara ali tão nervoso, ansioso, e agora, no entanto, graças a ela, esquecera-se até do motivo que o levara à casa de­la. Naquele momento, só desejava desfrutar daqueles instantes verdadeiramente mágicos em que o mundo parecia girar mais devagar.

Deixando-se levar pela intuição, Beatriz instintivamente permitiu que suas mãos deslizassem em direção à cintura dele. Seguindo a faixa de pelos sedosos que lhe cobriam o peito. No entanto, ao senti-la tocar-lhe a fivela do cinto, Armando segurou-lhe o pulso com força e, trazendo-a para si, sentou-a em seu colo.

— Você está entrando em território perigoso — disse-lhe sorrindo, e beijou-lhe as mãos.

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