— Eu... Bem só estava tentando trazer-lhe algum alívio e... — afirmou coradíssima. Superencabulada, Beatriz tentou levantar-se, mas ele a impediu.
— Você sempre diz que não se deve começar a provocar uma pessoa e desistir de repente da brincadeira. Pois desta vez foi você quem começou, e não vou deixar que desista no meio.
— Ouça, Armando, sinto muito se...
— Pois eu não sinto. — E como ela tentasse novamente escapar, ele a repreendeu: — Fique aí mesmo onde está; assim fica mais fácil eu dizer o que me trouxe aqui hoje.
De repente, a fisionomia dele tornou-se muito séria. Segurou-lhe o rosto com as duas mãos e fitou-a de modo intenso:
— Não sei como não percebi isso antes.
— Isso o que? — ela quis saber, com a voz trêmula.
— Quanto você é importante para mim — murmurou baixinho, acariciando-lhe o rosto com o dorso da mão.
A revelação deixou Beatriz arrepiada. Será que finalmente os céus haviam ouvido suas preces? Porém o bom senso falou mais alto, e ela se lembrou das outras vezes em que Armando fora carinhoso para, em seguida, despreza-la.
— Sempre fomos importantes um para o outro — disse, cautelosa.
Ele segurou-lhe as mãos com carinho e tornou a beijá-las, apertando-as de modo significativo.
— Sempre — garantiu. — Você é tão bonita, Betty; não sei por que levei tanto tempo para perceber.
— Você me achava feia? — ela disse, tentando aliviar a tensão. Seu coração batia tão forte que chegava a doer.
— Não seja boba. Sempre a achei bonita, mas agora a vejo com outros olhos, encontro uma beleza diferente, especial. Você está mais mulher.
— Muito obrigada — ela comentou, brincando.
— Betty, você sabe que eu falo sério.
— Sim, desculpe-me. É que fico sem ação quando você fala assim. Não sei o que quer de mim; tenho medo de que você torne a me desprezar.
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