Roberto balançou a cabeça, desanimado:
— Eu preferia que você não falasse assim, meu filho. Não é nada disso; você faz a situação parecer imoral, baixa. Não é assim.
— Mas, acho que peguei o sentido geral da situação, não?
Roberto encolheu os ombros e suspirou, aborrecido:
— Mais ou menos. Mas nenhum de nós dois teria concordado com isso, se não soubéssemos quanto você e Beatriz se querem bem. E você não pode culpar Júlia, meu filho; ela só está tentando fazer o melhor pela filha. Se vocês dois se casarem, ela dará a vocês a escritura das terras como presente de casamento.
Indignado, Armando ergueu-se e começou a andar de um lado para o outro do escritório:
— Sabe de uma coisa, Roberto? Eu estou pasmo. Uma coisa é você fazer pressão para que eu me case com Betty. Mas você e Júlia tentarem me subornar é bem diferente. Esta é uma decisão que só cabe a mim e Beatriz. Afinal, já somos adultos, e vocês deveriam se envergonhar de planejar nosso casamento sem o nosso consentimento. Mas o pior de tudo é o efeito que isso tem sobre Betty. Vocês agem como se ela fosse um fardo pesado do qual Júlia quisesse se desvencilhar de qualquer forma, empurrando-o para o primeiro rapaz que aparecer. É terrível! Qualquer rapaz se orgulharia de tê-la como esposa.
Roberto disfarçou um riso de satisfação.
— Está querendo me dizer que anda pensando em se casar com ela?
— Não foi isso que eu disse! Mas se um dia me casar com Betty, não será por causa de nenhum maldito pedaço de terra! Vocês nos insultam com essa proposta!
E, pondo um fim no assunto, Armando caminhou em direção à porta. Porém, ao tocar o trinco, Roberto o chamou:
— É melhor você pensar bem sobre o assunto, filho. Júlia garante que se vocês dois não se casarem, ela vende as terras para Mora. Júlia diz que o rapaz é muito gentil, tem uma queda por Beatriz, e elas podem voltar para Cartagena com ele. Portanto, pense bem: se você não se incomoda em perder as terras, pense em como seria viver sem Beatriz por perto.
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