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domingo, 29 de junho de 2014

Eu te amo, Betty


Naquela manhã, dispostos a resolver todos os preparativos do casamento, Armando e Beatriz saíram para a cidade e conse­guiram fazer tudo o que haviam planejado.

Ao voltar para casa, no final da tarde, Beatriz já usava um lindo anel de noivado com uma esmeralda, enquanto o noivo trazia o par da alianças numa caixinha, dentro do bolso. Para ela, tudo parecia um sonho; jamais pensara que um dia pudes­se ser tão feliz. A camaradagem entre os dois continuava a mes­ma, mas agora havia um brilho diferente nos olhos dele toda vez que a fitava: Armando a tratava como se fosse uma princesa.

Armando estacionou a caminhonete em frente à casa dela, desli­gou o motor e, virando-se, pousou o braço no encosto do ban­co. Durante algum tempo os dois permaneceram ali, em silêncio, limitando-se a fitar-se de modo intenso. Então, ele sussurrou:

— Eu te amo, Betty; sempre amei e sempre amarei.

— Eu também te amo — ela respondeu e o beijou com mui­ta ternura.

Mas uma batida na janela do carro os interrompeu. Era Júlia.

Beatriz abaixou o vidro:

— O que foi, mamãe?

— Como o que foi? Temos mil coisas para planejar, e vocês somem o dia inteiro! Venha, Beatriz, você tem de se arrumar!

— Arrumar para quê? — os dois perguntaram ao mesmo tempo.

— Ora, para o jantar de noivado que Roberto organizou para esta noite. É melhor você também ir para a sua casa para se trocar. Seu pai vai lhe contar tudo. Vamos, vamos!

— Eí, espere um minuto! — Armando exclamou. — Quero saber que história é essa; quem vem para o jantar? Por que não pos­so levar minha noiva pessoalmente?

Júlia suspirou:

— Armando, não seja teimoso. É só uma reunião de família, mas queremos fazer tudo certinho. Você não vai morrer se ficar uma ou duas horas longe da noiva. Agora, se me dão licença, vou entrar. Se não subir dentro de dez minutos, eu volto para buscá-la, Beatriz.

Assim que Júlia fechou a porta, Beatriz voltou-se para Armando:

— Eu não disse? Os dois não vão se conformar com um ca­samento simples e informal. Por outro lado, acho que devemos respeitar a vontade deles. Afinal, só se casa uma vez, não é?

— Ah, nunca se sabe! — respondeu Armando, com um sorriso maroto. — Venha, ela nos deu só mais dez minutos, e estamos perdendo tempo.

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