— Você viu só? — disse Armando.
— Pois você merecia! — Mário garantiu, sem pena. — Aliás, vem pedindo por isso há tempos. Espero que lhe sirva de lição.
Do que Armando menos precisava naquele momento era de alguém que o censurasse. Mário era um bom amigo, mas sabia ser bem inconveniente quando queria.
— Ouça, o que acontece entre mim e Betty não é da sua conta — Armando afirmou, sentindo o ódio crescer dentro de si.
Mário, imperturbável, limitava-se a balançar a cabeça.
— Engana-se, meu velho. Vocês dois são meus amigos, e o que acontece com vocês me interessa muito. Só que neste caso acho que está sendo injusto para com Beatriz e não vou ficar de braços cruzados enquanto você tira proveito dela.
— Mário, eu...
— E acho melhor você se acalmar. Betty não ia gostar de nos ver brigar por causa dela.
Apesar de contrariado, Armando teve de admitir que o amigo tinha toda a razão. O que ele disse tinha sentido e, aos poucos, seu ódio foi cedendo.
— Mário... não sei o que está havendo comigo. Estou sempre disposto a brigar com o primeiro que aparece. O que será?
Mário riu e abraçou o amigo:
— Não se preocupe, isso passa, meu velho. E já que não vamos mais brigar, o que me diz de irmos infernizar a vida do tal Mora?
Armando sorriu diante da tentativa de Mário de animá-lo, mas abanou a cabeça:
— Não, não acho que seja uma boa ideia. Betty pode ficar brava comigo. Ela fala como se me odiasse. Será verdade, Mário?
O outro deu-lhe um tapinha amigo nas costas:
— Seu bobo. Eu devia ter pena de você, mas acho que tenho inveja.
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