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terça-feira, 3 de junho de 2014

Não conseguiria viver em nenhum outro lugar

— O nome dele é Nicolás Mora, Armando — corrigiu-o. — E acho que ele deve estar visitando alguma outra propriedade por aí. Afinal, Nicolás não está de ferias.

— Isso quer dizer que Júlia desistiu de vender a fazenda? — Armando quis saber.

— Não sei. Já tentei conversar com ela sobre esse assunto, mas minha mãe sempre escapa. Já lhe disse a minha opinião a respeito disso, mas ela acha que nunca vou conseguir um marido morando aqui neste fim de mundo. — E deu de ombros. — Roberto foi visitá-la hoje, e os dois ficaram conversando no es­critório por mais de uma hora. Ele é o único capaz de fazê-la mudar de ideia.

— Bem, caso não consiga fazê-la mudar de ideia quanto á venda, pelo menos pode convencê-la a vender para nós, em vez de Dora. Aliás, a fazenda fazia parte da propriedade origi­nal dos Mendoza, mas papai acabou amolecando e vendeu aquela parte para Hermes. Acho bastante justo que Júlia nos dê a preferência.

— Pois espero que ela não venda as terras para ninguém. Não conseguiria viver em nenhum outro lugar.

— Nem eu. Detestaria ver nossas terras nas mãos de es­tranhos.

Beatriz estudou-lhe a fisionomia, por algum tempo e co­mentou:

— Você fala como se reprovasse o fato de Roberto ter vendido uma parte para Hermes. Pois saiba que essa parte das terras não lhe pertence mais, Armando.

Como Armando não respondesse, Beatriz prosseguiu:

— Talvez, se nada disso tivesse acontecido, eu jamais tives­se vindo morar aqui para azucriná-lo, não é?

Armando olhou-a, assustado.

— Não seja ridícula.

— Eu não sou ridícula.


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