Porém, ao cruzar o corredor em direção à escada, seu pai o chamou:
— Armando, pode vir até aqui um minuto? — O tom delicado de Roberto o deixou desconfiado.
Cauteloso, surgiu à porta do escritório, encostou no batente e observou o pai sentado com os pés sobre a escrivaninha.
— Dá para esperar até eu tomar um banho?
— Não; tenho certeza de que você não vai voltar. E do jeito como vem trabalhando ultimamente não sei se terei outra chance de encontrá-lo. — Erguendo-se da cadeira, foi até o bar, serviu duas doses de uísque e, entregando um copo para o filho, apontou para uma das poltronas de couro: — Sente-se.
Preferindo não discutir, sentou-se na poltrona e jogou uma perna sobre o braço estofado.
— Muito bem. O que há de tão importante?
— Você tem trabalhado demais!
Armando tomou um gole de uísque e abanou a cabeça.
— Há muito serviço nesta época do ano, você sabe, Roberto
— Sim, eu sei, é por isso que pegamos mão-de-obra extra. Se há poucos empregados, contrate mais alguns.
— Não é tão simples assim; o orçamento anda meio apertado.
— Mas não precisa se matar. Você quer ter tudo sob seu controle, estar em todos os lugares ao mesmo tempo. É para isso que temos empregados competentes.
Armando não respondeu, limitando-se a tirar as botas.
— E não pense que vou me calar só porque você finge não estar ouvindo.
As palavras do pai acabaram por fazê-lo rir:
— Está bem, meu velho. Já que não vou sair enquanto você não tiver terminado, vá direto ao assunto antes que eu comece a cochilar.
— Bem, a verdade é que eu e Júlia temos passado bastante tempo juntos ultimamente.
O assunto começou a interessar, pois Armando estava ansioso por notícias de Beatriz.
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