Então, sonhou que estava casada com Armando e que ambos dormiam numa enorme cama de casal, na fazenda dele. Os dois dormiam de lado, ele atrás dela, um braço solto sobre sua cintura enquanto a mão acariciava-lhe suavemente um seio. Beatriz sorriu e aconchegou-se mais contra ele. Jamais imaginara que iria sentir-se tão feliz casada com Armando. Claro que esperava encontrar o desejo e a paixão que sempre a excitavam quando o via, mas, ali, em seus braços, desfrutava de uma sensação diferente, tranqüila, um prazer imenso por estar junto ao amado.
A mão de Armando deslizou para dentro da blusa dela, e Beatriz suspirou, satisfeita. Blusa? Por que estava usando uma blusa para dormir? Então, sentiu a blusa em questão sendo puxada para fora de sua calça jeans. Jeans? Havia alguma coisa errada...
Numa fração de segundo, seus olhos se abriram. Afinal, o que estava havendo? Sonhara com coisas tão bonitas, tão reais, que ainda podia sentir o peso do braço dele sobre si, o calor da mão em seu seio e...
— Meu Deus! — gritou ao sentar-se, assustadíssima, tentando se recompor.
— Hum? O que foi? — Armando perguntou, sonolento.
— O que foi? Você não sabe? — ela redarguiu, enrubescida. — Você estava me desrespeitando enquanto eu dormia.
Só então ele despertou de fato.
— Desrespeitando? Eu nunca fiz isso!
— Olhe aqui, não sou nenhuma boba. Era exatamente o que você fazia quando acordei. Deitei aqui para descansar um pouco e acordei com sua mão dentro da minha blusa — explicou, omitindo o fato de ter pensado que tudo não passava de um sonho maravilhoso.
— Eu? Ouça, deve ter havido um mal-entendido. Eu dormia feito uma pedra quando você começou a gritar. Deve ter sido um sonho — garantiu, omitindo o fato de ter sonhado com ela enquanto dormia.
Porém, no sonho, Beatriz era superfeminina e correspondia com desenvoltura aos carinhos dele. Pena que, naquele momento, na realidade, agisse como uma donzela ultrajada.
— Talvez eu estivesse mesmo sonhando — ela admitiu. — Mas sua mão dentro da minha blusa era bem real. Você estava... estava...
Armando começava a se divertir com a situação.
— Estava o quê? Pelo jeito, deve ser algo bem interessante, meu bem.
Beatriz sentiu o rosto arder e exclamou:
— Ora, você é impossível!
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