Armando encontrou-a na cachoeira e, como estivesse trabalhando, ela não o viu entrar. Aliviado, Armando suspirou. Aquela, sim, era a sua Betty: usava uma calça jeans velha e uma blusa xadrez amarrada à cintura, e voltara a prender os cabelos numa trança única, embora agora fosse bem mais curta.
Aquela era a garota que fazia parte da vida dele, de seu passado, a quem poderia confiar, e até arriscar, a própria vida. Betty estava linda! Não precisava de lodos aqueles artifícios da moda, de que se valia ultimamente. Embora a novidade fosse excitante, o que importava era a pessoa em si. E para ele não importava que roupa estava usando: Betty era a mulher mais linda do mundo. Curioso que tivesse levado tanto tempo para descobrir essa verdade.
— Já olhou bastante, ou quer uma fotografia? — Beatriz perguntou-Ihe, ao apoiar-se no forcado para enxugar o suor da testa.
— Se quiser me dar uma foto, eu agradeço — ele admitiu sorrindo, enquanto se aproximava. — O que está fazendo? Pensei que essa fosse tarefa de Fred.
— Às vezes é, mas eu lhe dei o dia de folga. Fred está ficando velho e precisa diminuir o ritmo de trabalho.
Beatriz não mencionou o fato de ter dispensado o capataz porque sentia necessidade de se distrair, de se exaurir para que conseguisse pegar no sono, à noite. Só assim conseguiria deixar de pensar em Armando vinte e quatro horas por dia.
Armando fez menção de apanhar o forcado:
— Deixe que eu termino para você.
Mas ela deu um passo para trás.
— Não, não precisa, já estou quase acabando.
Sem uma palavra, Armando apanhou outro forcado e entrou no ultimo estábulo. Ambos trabalharam em silêncio por algum tempo; então, Armando parou, puxou o chapéu para trás e enxugou a testa. E ficou observando-a trabalhar com afinco no estábulo ao lado, Ela ergueu o rosto e o surpreendeu:
— Você está me observando de novo.
— Não consigo evitar, Betty. É como se estes últimos tempos não tivessem existido, e tudo continuasse como antes. A não ser pela trança mais curta, você não mudou nada. É a primeira vez, desde a viagem para Cartagena, que me sinto realmente à vontade a seu lado. Não é estranho?
Para Beatriz aquilo bastava: ele preferia vê-la limpando o estábulo de que abrilhantando sua festa!
— É assim como um sapato velho, não é? Não é muito bonito, mas é confortável.
— Ei, espere aí, não disse que você era feia. Na verdade, adoro ficar te observando.
— Acho que já é alguma coisa — ela comentou, descrente, ensaiando um sorriso.
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