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terça-feira, 17 de junho de 2014

Sentira tanto sua falta


A resposta de Armando foi bater a porta com força ao sair.

No entanto, as palavras do pai não lhe saiam dos pensamen­tos. E a imagem de Beatriz também não: exatamente como acontecia desde a última vez em que a vira. Daquele jeito, ia acabar enlouquecendo. Sabia que não a tratara com a devida consideração, que acabara magoando-a, mas não fizera nada propositadamente.

Há muito tempo que vinha lutando contra a ideia do casa­mento; talvez porque seu pai viesse tentando fazê-lo casar-se desde que saíra da faculdade. Mas será que era isso mesmo?

Betty era a primeira garota de quem seu pai realmente gos­tava e queria ter como nora, e frequentemente deixava bem claro a ele qual a sua missão na família; produzir herdeiros para perpetuar a tradição dos Mendoza. Armando estava consciente dis­so, aceitava a incumbência, mas não gostava de ser pressionado. Mas o que aquilo tinha a ver com o rumo que seus sentimen­tos por Beatriz haviam tomado? A saudade que sentia dela era muito forte. Nem mesmo durante os anos de faculdade, em que estiveram separados, sentira tanto sua falta. Sem dúvida, muita coisa havia mudado desde então.

Mesmo dedicando-se de corpo e alma ao trabalho, não con­seguia esquecê-la. Bastava descansar um minuto e recomeçava a pensar em Beatriz. Incrível como ultimamente, apesar de conhecê-la há tanto tempo, vinha descobrindo tanta coisa no­va a respeito dela. Nunca imaginou que ela pudesse ser tão sen­sual, que seu corpo reagisse daquela forma toda vez que a tinha nos braços. Sua vontade era ir vê-la, conversar com calma, en­tender as mudanças pelas quais ela tinha passado, mas temia que Beatriz não o entendesse.

A situação toda era muito confusa; não sabia mais o que pen­sar. Ela vinha agindo de modo tão diferente ultimamente, mas, para ser franco, sentia falta da antiga Betty, amiga de infân­cia com quem podia conversar sobre qualquer assunto, abrir-se sem nenhum constrangimento. Mas, por outro lado, havia o encantamento desse novo lado da personalidade dela que co­meçava a desabrochar...


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