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domingo, 8 de junho de 2014

Lembrava-se perfeitamente de como todo o corpo dela reagira

Excitado, Armando engoliu em seco e procurou disfarçar como pôde:

— Betty, por que não deixamos este assunto de lado? Sin­to muito se a magoei ou a fiz sentir-se insultada; não foi minha intenção. É que, por enquanto, não penso em me casar. Mas, se fosse o caso, você seria a primeira da lista.

— Puxa, minha cotação melhorou bastante — ela murmurou.

— O que disse?

— Disse muito obrigada — mentiu. — Mas acho que está sendo um pouco presunçoso. Quem lhe disse que-eu gostaria de ser a sra. Mendoza?

— Quer dizer que o fato de ter me beijado daquela forma não é sinal de que está interessada em mim? — perguntou, em tom de provocação.

Mas ela deu de ombros e o fez provar do próprio veneno:

— O que há de tão importante num beijo? As pessoas se bei­jam toda hora; isso não quer dizer nada. Foi o que você disse a Roberto e Júlia, e concordo plenamente. Não entendo por que está fazendo tanto caso de uma coisa à toa.

— O mesmo vale para aquele dia em que estávamos aqui e você me beijou? Se não tinha interesse em mim, por que fez aquilo?

Armando não se esquecera daquele dia e esperava que ela tam­bém não esquecesse. Lembrava-se perfeitamente de como todo o corpo dela reagira e de quanto ela o surpreendera com aque­la atitude. Ela o beijara e, de repente, tudo entre os dois se mo­dificou. Até a sua costumeira autoconfiança ficou abalada.

Desde aquele dia, nunca mais voltara a ser o mesmo Don Armando Mendoza, durão, insensível, arrogante. Se ela pretendia provar-lhe a qualquer custo que já era uma mulher adulta, atingira plenamente seu objetivo.

Beatriz sorriu, com ares de superioridade.

— Eu explico o que houve: estava farta de ser tratada como uma garotinha boboca e infantil, mas reconheço que foi uma tentativa bastante amadorística. Sinto muito se lhe dei a impressão errada.

Armando riu.

— Creia-me: não havia nada de amadorístico naquele beijo e, desde então, você tem progredido muito.

Ela sorriu, intimamente satisfeita.

— Ora, Armando, muito obrigada! Vindo de você, que é um expert em mulheres, é um elogio.

— Beatriz, por que você insiste em afirmar que sou um mulherengo? Sou apenas um rapaz solteiro que... que...

— Aproveita todas as oportunidades que surgem? — ela sugeriu.

— Você fala como se isso fosse um crime. E não é bem as­sim. Tenho meus critérios.

— Tudo bem.

— Betty, pare de concordar comigo.

— Pensei que você gostasse. Ultimamente você tem reclamado que eu ando cheia de opiniões próprias.

— Bem, talvez você tenha razão.

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