Cansado, deitou-se na enorme cama de casal da suíte que ocupava e rolou, insone, durante horas. Mentalmente, reviu diversas vezes a cena do estábulo, em que Beatriz, furiosa, o deixara falando sozinho. Doía-lhe saber que a magoara com uma brincadeira.
Lembrando-se da conversa que tivera com Roberto na noite anterior, ficou ainda mais aborrecido. Júlia e Roberto vinham agindo de forma imperdoável, parecendo dois comerciantes. Seu pai já havia deixado bem claro que queria vê-lo produzindo netos o quanto antes e de preferência com Betty, mas aquilo já era demais.
O que mais o impressionara, porém, fora a última frase de Roberto alertando-o para o fato de que não suportaria perdê-la.
A ideia não lhe saía da mente, e Armando perguntava-se inúmeras vezes como seria a vida sem Beatriz por perto. Se um dos dois se casasse com outra pessoa, a bonita amizade que os unia ficaria abalada. Qualquer outro rapaz com quem ela se casasse a levaria para morar na cidade, e Armando com certeza só a encontraria uma ou duas vezes por ano.
Pensar que Beatriz um dia pertenceria a outro homem o deixava aflito.
Casar-se com ela significava perder a liberdade, mas que liberdade era aquela que o obrigava a trabalhar vinte horas por dia para tentar esquecê-la? No fundo, sempre soubera que a amava, porém só agora, na iminência de perdê-la, era capaz de encarar a verdade de frente. Mas como chegar até ela e contar que a amava? Como confessar que a queria como esposa?
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