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sexta-feira, 20 de junho de 2014

Que a queria como esposa

Ao deixar a propriedade de Beatriz, Armando rumou para ca­sa e procurou ocupar-se com algo que lhe distraísse um pouco: tentou ver um filme na televisão, ler um bom livro, trabalhar na contabilidade. Porém, nada adiantou.

Cansado, deitou-se na enorme cama de casal da suíte que ocu­pava e rolou, insone, durante horas. Mentalmente, reviu diversas vezes a cena do estábulo, em que Beatriz, furiosa, o deixara falando sozinho. Doía-lhe saber que a magoara com uma brincadeira.

Lembrando-se da conversa que tivera com Roberto na noite an­terior, ficou ainda mais aborrecido. Júlia e Roberto vinham agindo de forma imperdoável, parecendo dois comerciantes. Seu pai já havia deixado bem claro que queria vê-lo produzindo netos o quanto antes e de preferência com Betty, mas aquilo já era demais.

O que mais o impressionara, porém, fora a última frase de Roberto alertando-o para o fato de que não suportaria perdê-la.

A ideia não lhe saía da mente, e Armando perguntava-se inúme­ras vezes como seria a vida sem Beatriz por perto. Se um dos dois se casasse com outra pessoa, a bonita amizade que os unia ficaria abalada. Qualquer outro rapaz com quem ela se casasse a levaria para morar na cidade, e Armando com certeza só a encon­traria uma ou duas vezes por ano.

Pensar que Beatriz um dia pertenceria a outro homem o deixava aflito.

Casar-se com ela significava perder a liberdade, mas que li­berdade era aquela que o obrigava a trabalhar vinte horas por dia para tentar esquecê-la? No fundo, sempre soubera que a amava, porém só agora, na iminência de perdê-la, era capaz de en­carar a verdade de frente. Mas como chegar até ela e contar que a amava? Como confessar que a queria como esposa?

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