— Se vocês não se incomodam, ou mesmo que se incomodem, vou tirar um cochilo. Dormi muito mal à noite passada.
— Ótimo — concordou Mário. — Enquanto isso, vou tentar convencer Betty a vir mergulhar nua comigo antes de irmos pescar.
Se a intenção de Mário era provocar Armando, seu propósito foi totalmente frustrado. Armando sabia que as águas do lago naquela época estavam geladíssimas.
— Se querem morrer congelados, acho que devem ir em frente!
— É... você tem razão... Nós iríamos morrer congelados — disse Mário, apanhando a vara de pescar presa na sela. — Vou andar um pouco para arrumar um lugar melhor para pescar. Com alguma sorte, quem sabe consiga apanhar uma truta. Aliás, é a especialidade de Inezita.
— Quer dizer que não estou convidada?
— Lógico que não. Adoro sua companhia, querida, mas não consigo me concentrar em mais nada quando estamos juntos.
— Mas, e se eu prometer ficar calada?
— Pior ainda. Só de olhá-la, já fico desnorteado. — E se afastou.
Na verdade Beatriz mal via a hora de deitar-se e tirar um bom cochilo. Fora por esse motivo, em primeiro lugar, que trouxera um cobertor na sela. Achara que os dois iriam preferir pescar e a deixariam em paz para descansar, mas nada saíra como planejara, e lá estava Armando, deitado na relva, enrolado no cobertor dela.
Sonolenta, abafou um bocejo incontrolável. As três latas de cerveja restantes tinham sido mergulhadas na água para se manterem geladas. E já que não pretendia pescar não lhe restava outra alternativa a não ser dormir.
Tornando a olhar em direção a Armando, notou que havia espaço de sobra para ela no cobertor, uma vez que ele rolara de lado. E, pelo modo como roncava, não havia dúvidas de que dormia um sono profundo.
Decidida, sentou-se com muito cuidado e, sem desviar os olhos de Armando, deitou-se sobre o cobertor. Usando o braço como travesseiro, suspirou feliz e logo pegou no sono.
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