Armando se divertia muito. O pessoal da região não tinha muitas datas importantes para celebrar, portanto, qualquer convite para uma reunião era prontamente aceito.
Armando tomou um gole de coquetel que tinha numa das mãos e continuou a flertar com a loira macérrima que conhecera minutos antes. A loira parecia bastante interessada nele e já acalentava esperanças de se conhecerem melhor. No entanto, o flerte já não despertava nele o mesmo entusiasmo de até então: agora era Betty quem não lhe saía dos pensamentos. E, por falar nisso, onde estava ela?
Fingindo dar ouvidos à loira, correu o olhar pelo ambiente. Júlia estava cercada por uma roda de senhores mais velhos, inclusive Roberto encantando a todos com sua conversa animada.
Os olhos de Armando pousaram numa rodinha de jovens, a maioria dos quais eram seus conhecidos. Mas quem era aquela garota linda, de costas para ele? Talvez fosse namorada de um dos rapazes. Aquele vestido, pelo menos por trás, deixava pouco à imaginação, exibindo-lhe as costas muito alvas. Sentindo o sangue aquecer, rumou em direção a ela.
Beatriz sentiu alguém aproximar-se por trás e segurar-lhe o cotovelo e não precisou olhar para saber de quem se tratava. Ninguém a excitava tanto a um simples toque.
— Senhorita — disse ele, fazendo-a delirar. — Como anfitrião, peço-lhe que me conceda esta dança.
Rapidamente, Beatriz voltou-se para ele:
— O prazer será todo meu, Armando. E meus parabéns!
Numa fração de segundo a expressão de Armando foi de deslumbramento.
— Betty?!
Dando um passo para trás, observou-a atentamente, detendo-se em cada curva, reparando-lhe no penteado, na maquiagem cuidadosa, no vestido elegantíssimo.
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Reparando na súbita mudança de atitude por parte de Armando, Beatriz percebeu que ele não a reconhecera antes de se aproximar. E, agora que a vira, demonstrava-se visivelmente contrariado.
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