Armando não disfarçava sua fúria:
— Você está se portando como uma criança, Betty. Ou como uma das personagens daqueles livros que sua mãe escreve.
— Não há nada de errado com os livros de minha mãe. E por que você esperava que eu agisse de modo diferente, se me julga uma criança?
Frustrado, ele suspirou:
— Sei que você não é mais uma criança, Betty, mas ainda é muito jovem e inexperiente. Quando for mais velha, vai entender o que quero dizer.
Beatriz ajoelhou-se na relva e o fitou, furiosa.
— Agora você já está me insultando! Sei perfeitamente que há outros tipos de relacionamento entre um homem e uma mulher, além do casamento, e quanto à minha inexperiência, não se esqueça de que passei quatro anos estudando fora. Conheci muitos rapazes na universidade.
Armando ficou pasmo com a revelação. Seria possível que... Não... A sua Betty?
— Bem, sim... Desculpe-me Betty, eu deveria...
— Pois deveria mesmo e saiba que meu nome não é Betty!
Em seguida, segurou-lhe o rosto com ambas as mãos e o beijou.
A princípio foi um beijo carregado de ódio, para provar-lhe que já não era mais criança. Mas, ao sentir os lábios dele deslizando sobre os seus, correspondendo ao beijo, o ódio cedeu lugar ao prazer. Beatriz sentiu-se descontrair e apoiou-se contra o peito de Armando. Finalmente descobria qual a sensação de beijá-lo...
Aos poucos, Armando sentiu o sangue aquecer-lhe as veias e ficou surpreso com a própria reação. Aquele não era o beijo de uma criança, mas de uma mulher sensual e sedutora. Jamais imaginara que fosse tão bom beijá-la...
Finalmente, a falta de fôlego os fez afastarem-se e, sentados, ambos se entreolharam, confusos. Beatriz não conseguia falar e, por sorte, foi Armando quem quebrou o silêncio.
— Bem — disse ele, pigarreando. — Bem, acho que você realmente conseguiu me convencer de que já não é mais criança, Beatriz.
Apesar da emoção, ela percebeu que Armando a chamara pelo nome, não pelo apelido. Correndo os dedos pelos cabelos dele, olhou-o bem fixamente nos olhos e admitiu:
— É, acho que sim.
E, sentindo as pernas trêmulas, montou em sua égua e partiu. Por sorte, o animal já conhecia bem o caminho, pois, se dependesse dela, era bem capaz que acabassem se perdendo.
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