Ei!, espera aí Isso aqui NÃO é um mangá!

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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Amigos. Bons amigos.


Beatriz riu da pergunta, já tão típica. Júlia podia passar semanas e semanas sem sequer notar-lhe a existência; então, de repente, queria um relatório completo de suas atividades para, de novo, envolver-se com o trabalho e relegá-la a segundo plano.

— Nada de interessante.

Seu desejo era poder sentar-se e abrir-se com a mãe, contando-lhe, por exemplo, o que acontecera aquela manhã, mas era im­possível. Mesmo por que Júlia, quando queria, agia como uma verdadeira supermãe, partindo em sua defesa contra quem quer que fosse. Seria extremamente embaraçoso para todos se ela resolvesse telefonar para os Mendoza a fim de tomar satis­fações.

— Você já escolheu um vestido para usar na festa de aniver­sário de Armando? — Júlia perguntou, interrompendo-lhe os pen­samentos. — Vai ser o grande acontecimento do ano.

Beatriz havia se esquecido por completo da festa e, agora que o assunto viera à tona, procurava uma desculpa para se au­sentar.

— Eu estive pensando e acho que este ano não irei à festa — comentou, como quem não quer nada, folheando as pági­nas que segurava. Sua mãe ficou chocada com a ideia. — An­do com saudade da Vovó Pinzón. Acho que vou vê-la.

A desculpa não era das mais convincentes, mas foi a melhor que lhe ocorreu.

— Você ficou maluca? Perder a melhor festa de toda a re­gião para ir visitar sua avó? Aposto que ela nem sente sua falta.

— Não fale assim, mamãe. Ela está ficando idosa e sempre me quis bem.

— Já eu não posso dizer o mesmo: ela nunca me suportou. Primeiro, achava que eu não era a moça ideal para o seu pai; depois, me criticou por ter me casado pela segunda vez. Mes­mo depois de cinco anos de viuvez. Não foi fácil enfrentá-la. Não sei o que teria sido de mim sem o apoio de Don Roberto e Armando.

— Não seja ridícula, mamãe — Beatriz a repreendeu. — Nunca pedimos um centavo aos Mendoza, além do que Hermes nos deixou. E teríamos nos virado muito bem mesmo sem aquele dinheiro. Papai nos deixou tranqüilas, e além disso temos os direitos autorais dos livros. Não precisamos da ajuda de ninguém.

— Filhinha, não estou falando de dinheiro. É tão reconfortante poder contar com a presença de um homem forte ao nos­so lado quando as coisas não vão bem. — E suspirou, com uma fisionomia sonhadora. — Don Roberto é um homem maravilhoso e bem conservado para a idade dele, apesar de um tanto rude. E Don Armando, então, é um amor. — A expressão sonhadora deu lugar a um gesto determinado. — E não podemos desapontá-lo faltando à festa.

— Mamãe, Armando não ia nem sentir nossa falta. Além disso, não estou dizendo para que você não vá. Eu é que não estou com vontade.

— Ah! — Júlia exclamou, triunfante. — Então, há um ou­tro motivo por trás dessa sua desculpa de querer ir visitar sua avó! Vamos, conte-me o que está acontecendo. Afinal, você e Don Armando sempre foram bons amigos.

Beatriz riu de modo amargo.

— É... amigos. Bons amigos.

— Claro; e não é uma discussão à toa que vai destruir essa amizade. Agora, conte-me. Você sabe que não lhe darei sosse­go enquanto não souber o que está havendo.

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