Seu desejo era conseguir relaxar e aproveitar ao máximo aqueles momentos. Porém, por outro lado, sentia-se envergonhada por deixá-lo vê-la chorar. E Armando continuava a tratá-la como criança, sem perceber que despertava nela reações de uma mulher adulta.
Ao senti-la retrair-se e tentar escapar, ele a abraçou com mais força, imobilizando-a.
— Agora fique quietinha e deixe-me abraçá-la. Mesmo que não esteja gostando, saiba que eu estou.
E, de fato, não era mentira. Para Armando era ótimo estarem ali juntinhos.
Suspirando, aninhou-a melhor contra si, amoldando-lhe as curvas às dele. Seu pai tinha toda razão: Betty estava se transformando numa mulher linda. Ou melhor, já se transformara, corrigiu-se, sentindo-lhe os contornos arredondados.
Segurando-lhe o queixo, ergueu-lhe o rosto e obrigou-a a fitá-lo: a umidade das lágrimas tornava os olhos dela ainda mais encantadores e brilhantes, e sua expressão o fez analisá-la. Betty o fitava com ares de adoração, o que, aliás, não era novidade. Ela sempre o fitara com aquela expressão, a não ser, claro, quando ficava brava. Mas havia um quê diferente naquele momento que lhe despertava uma reação estranha, de posse. Se não desse tanto valor à liberdade, não hesitaria em seguir logo os conselhos do pai.
No entanto, ao cair em si, Armando repreendeu-se, inconformado. Afinal, aquela era Betty, sua melhor amiga de infância, e os sentimentos que nutria por ela eram apenas uma extensão da afeição que compartilhavam desde criança.
Com muita ternura, deslizou um dedo pelo rosto dela e a beijou.
— Está se sentindo melhor?
Beatriz não conseguia responder. Para ela, era uma verdadeira tortura estar nos braços de Armando, sentir-lhe os lábios colados em seu rosto. Sem uma palavra, balançou a cabeça num gesto afirmativo e aninhou-se melhor.
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