Desanimada, estacionou a caminhonete à porta da casa. Ela e a mãe moravam numa bela construção em estilo rústico, cuja fachada em pedra e madeira lembrava a mansão dos Mendoza, só que numa versão bem menor.
Uma rajada de vento levantou uma nuvem de poeira, enquanto ela subia os degraus de pedra que levavam à entrada da frente. Ao entrar, bateu a porta com força.
— É você, querida? — perguntou a mãe, do escritório. Beatriz arrependeu-se de ter batido a porta e, com isso, chamado a atenção da mãe. Preferia ter subido direto para o quarto.
Respirando fundo, rumou ao encontro da mãe. Apesar do mau humor, não pôde conter o riso quando a encontrou sentada à mesa praticamente escondida atrás de uma pilha de papéis. O vestido, de chiffon verde-claro, esvoaçava a cada movimento, tornando-a ainda mais feminina. Apesar dos óculos com aro de tartaruga que destoavam da aparência coquete.
Mas, por trás da fachada frágil e sofisticada, encontrava-se uma famosa escritora, autora de diversos romances policiais respeitados pela crítica. No dia-a-dia, Júlia Pinzón gostava de passar aquela imagem delicada e avoada de mulher frívola, mas, quando a situação o exigia, exibia uma determinação invejável.
— Você me chamou, mamãe? — Beatriz perguntou. Por um momento, Júlia ergueu o rosto e fitou-a com uma expressão distante, mas, de repente, como num passe de mágica, seus olhos azuis-claros adquiriram brilho.
— Ah, filhinha, que bom vê-la. Deseja alguma coisa?
Beatriz suspirou, desanimada. Era difícil conversar quando Júlia estava trabalhando.
— Foi você quem me chamou.
— Eu? — Júlia indagou, perplexa.
— Hum, hum — Beatriz garantiu, achando graça na distração. — Por acaso não foi por causa desses papéis que está segurando?
Júlia olhou-os, espantada, como se alguém os tivesse posto nas mãos.
— Oh, sim, sim! — exclamou, feliz por ter retomado o raciocínio. — Ah, filhinha, não sei o que seria de mim sem você. — Ajeitando melhor os óculos, prosseguiu: — Deixe-me ver... Ah, sim. Comecei um livro novo e gostaria que lesse este capítulo e me desse sua opinião. Se gostar, pode datilografá-lo para mim?
Entregando o manuscrito para a filha, suspirou e recostou-se na enorme poltrona de couro.
— É só. E você, querida? O que tem feito?
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