Ei!, espera aí Isso aqui NÃO é um mangá!

Ei!, espera aí! Isso aqui NÃO é um mangá! Vai começar a ler a nossa estória pelo final? Se você quer lê-la com sentido, clique aqui e vá para o primeiro... "capítulo” (que é do dia 02/04/2014). Depois... é só clicar em "Postagem mais recente" (do lado esquerdo, no rodapé de cada página!) ou... deslizar o dedo (também para a esquerda), como se estivesse virando uma página de um livro!!!).Então!, boa leitura! (e... espero que goste!!!)

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Conquistá-lo como mulher


Guardava-se para Armando porque sabia que o amava e alimen­tava esperanças de um dia conseguir conquistá-lo como mulher. Naquele momento, no entanto, temia que suas esperanças jamais se concretizassem.

Desanimada, estacionou a caminhonete à porta da casa. Ela e a mãe moravam numa bela construção em estilo rústico, cuja fachada em pedra e madeira lembrava a mansão dos Mendoza, só que numa versão bem menor.

Uma rajada de vento levantou uma nuvem de poeira, enquanto ela subia os degraus de pedra que levavam à entrada da frente. Ao entrar, bateu a porta com força.

— É você, querida? — perguntou a mãe, do escritório. Beatriz arrependeu-se de ter batido a porta e, com isso, chamado a atenção da mãe. Preferia ter subido direto para o quarto.

Respirando fundo, rumou ao encontro da mãe. Apesar do mau humor, não pôde conter o riso quando a encontrou senta­da à mesa praticamente escondida atrás de uma pilha de pa­péis. O vestido, de chiffon verde-claro, esvoaçava a cada movimento, tornando-a ainda mais feminina. Apesar dos ócu­los com aro de tartaruga que destoavam da aparência coquete.

Mas, por trás da fachada frágil e sofisticada, encontrava-se uma famosa escritora, autora de diversos romances policiais res­peitados pela crítica. No dia-a-dia, Júlia Pinzón gostava de passar aquela imagem delicada e avoada de mulher frívola, mas, quando a situação o exigia, exibia uma determinação in­vejável.

— Você me chamou, mamãe? — Beatriz perguntou. Por um momento, Júlia ergueu o rosto e fitou-a com uma expressão distante, mas, de repente, como num passe de mági­ca, seus olhos azuis-claros adquiriram brilho.

— Ah, filhinha, que bom vê-la. Deseja alguma coisa?

Beatriz suspirou, desanimada. Era difícil conversar quando Júlia estava trabalhando.

— Foi você quem me chamou.

— Eu? — Júlia indagou, perplexa.

— Hum, hum — Beatriz garantiu, achando graça na dis­tração. — Por acaso não foi por causa desses papéis que está segurando?

Júlia olhou-os, espantada, como se alguém os tivesse posto nas mãos.

— Oh, sim, sim! — exclamou, feliz por ter retomado o ra­ciocínio. — Ah, filhinha, não sei o que seria de mim sem você. — Ajeitando melhor os óculos, prosseguiu: — Deixe-me ver... Ah, sim. Comecei um livro novo e gostaria que lesse este capí­tulo e me desse sua opinião. Se gostar, pode datilografá-lo pa­ra mim?

Entregando o manuscrito para a filha, suspirou e recostou-se na enorme poltrona de couro.

— É só. E você, querida? O que tem feito?


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