Ei!, espera aí Isso aqui NÃO é um mangá!

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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Pura, ingênua, simples!


Roberto tornou a se recostar na cadeira e cruzou as mãos atrás da nuca:

— Isso mesmo. Ela deve estar com vinte e um, ou vinte e dois anos, o que é bem adequado a um homem de trinta.

— Você está enganado; ela deve ter menos. Betty é uma criança. E, mesmo que tenha vinte e um, somos meio aparentados; não podemos casar.

Roberto sorriu, confiante.

— Vocês são primos distantes por afinidade; não são consangüíneos. Além disso, ela é uma moça saudável, que gerará filhos perfeitos.

Uma imagem fugidia de Beatriz, com os expressivos óculos prediletos e cabelos fixados com gel, cruzou a mente de Armando, fazendo-lhe disparar o coração. Então, franzindo a testa, caiu em si: estavam falando de Betty, a priminha que até outro dia era uma criança!

— Você não pode estar falando sério. Betty é magra co­mo uma vara de bambu.

Roberto torceu o bigode e sorriu.

— Parece que você não anda enxergando direito. É melhor consultar um oculista.

— Não há nada de errado com meus olhos.

— Então, você olha mas não vê. Precisa ficar mais atento! Não sabe o que está perdendo! Aquela garotinha se transfor­mou numa mulher belíssima. E o que é melhor: tem um temperamento calmo, tranqüilo. Nunca vi uma jovem igual. Acredite-me, filho, ela daria uma esposa e tanto. E excelente mãe para seus filhos.

Armando procurou convencer-se de que sua reação às palavras do pai não passava de simples indignação. Sempre protegera Betty do assédio dos outros rapazes e não gostava de ouvi-lo elogiando-a daquela forma, como se fosse uma mercadoria. Betty era diferente das outras que conhecera; era pura, ingênua, simples.

— Eu preferia que você não falasse assim, Roberto Betty não é uma potranca em exposição para você ficar anunciando des­ta forma. Ela é minha amiga e faz parte da família.

— Tem razão; me desculpe! Só queria lhe mostrar como ela tem mudado. Não é mais a criança com quem você brincava. Cedo ou tarde, vocês dois terão de se casar. Além disso, sei que gosta dela.

— Claro que gosto — Armando admitiu correndo os dedos pelos cabelos. — Mas não desse jeito. Quero dizer, para mim, ela é como uma irmã.

— Isso é porque você não quer acreditar que Beatriz não é mais uma criança. De qualquer forma, não quero forçá-lo. Mas peço que pense no assunto. Não estou insistindo para que fique noivo de Beatriz, mas veja se não arruma uma dessas garotas sofisticadas da cidade grande. Você precisa de uma mu­lher simples, acostumada ao trabalho árduo do campo. Siga o meu conselho.

Armando o fitou e começou a relaxar; sabia que a intenção de Roberto era a melhor possível mas não o perdoava pelo modo como se referira a Betty.

— Vou pensar no caso, mas não alimente muita esperança. Também quero deixar bem claro: se um dia eu me casar, será para satisfazer um desejo meu, e de mais ninguém. — Apanhou o chapéu que atirara sobre o sofá e o recolocou sobre a cabeça: — E, se me der licença, tenho de voltar ao trabalho.

Sem esperar pelo consentimento, Armando saiu do escritório. "Por que Betty?", indagava-se, inconformado, cruzando o corre­dor, quando deparou com a própria, parada junto à porta da cozinha.

— Betty! Eu não sabia que você estava aqui!

Beatriz Pinzón arrependia-se profundamente de ter ido à casa dos Mendoza. Não poderia ter escolhido pior hora. A conversa que entreouvira a deixara muito chateada. Roberto se re­feria a ela de uma forma e num tom que desagradaram. Foi a voz de Armando que a arrancou daquele estado de torpor.

Lembrando-se das palavras amáveis que ele dissera ao pai a respeito dela, Beatriz colocou as mãos nos bolsos da calça e sorriu.

— Por que o espanto? Vim visitar Inezita e pensei em lhe oferecer ajuda na vacinação do gado.

Mais aliviado, Armando retribuiu o sorriso. Por um momento, chegou a temer que ela tivesse ouvido a conversa no escritório, mas, diante de tanta gentileza, era quase certo que não ouvira.

— Você quer?

— Puxa, se quero! Não sei o que eu faria sem você.

O tom brincalhão tinha o intuito de alegrá-la, mas os resul­tados foram frustrantes.

— Provavelmente contrataria alguém para ajudá-lo ou você mesmo faria as vacinas — ela garantiu, bastante séria.

Armando esboçou um sorriso amarelo e resolveu calar-se. Betty era uma garota muito meiga, mas, ao contrário do que Roberto alegava, tinha um gênio difícil.

Lembrando-se do alerta do pai, puxou o chapéu para trás e observou-a melhor. Como de costume, Betty usava os cabe­los fixados com gel presos numa trança que lhe chegava quase à cintura, o que lhe emprestava uma imagem de colegial. Os óculos prediletos eram realçados pelos cílios longos e as sobrancelhas es­curas, tornando-a bela, mas um pouco de maquiagem lhe da­ria um toque de sofisticação. Armando, no entanto, nunca a vira maquiada.

Porém, eram os lábios vermelhos e carnudos o que mais lhe chamava a atenção. Eram lábios sensuais, que clamavam por um beijo.

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