Ei!, espera aí Isso aqui NÃO é um mangá!

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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Não somos irmãos de verdade.


Beatriz não sabia o que dizer. Era difícil não ser gentil com um rapaz tão atraente. Porém, agora, recordava-se de como Nicolás fora detestável quando criança e temia que ele ainda conservasse seus defeitos, apesar da bela aparência e das palavras gentis.

Saindo daquele transe, encontrou a mãe e o rapaz olhando-a fixamente à espera de uma resposta e, meio sem jeito, acabou con­cordando. Porém, a ideia de tê-lo como hóspede não a agradava.

Armando entrou no restaurante e correu os olhos à volta, tentan­do localizar Beatriz e a mãe. Apesar de não terem combina­do o encontro, torcia para que tivessem ficado no hotel aquela noite para que pudessem jantar juntos. Foi só na terceira olhada que ele as reconheceu: Júlia estava sentada de lado para a entrada e Beatriz... Ela cortara os cabelos! Depois de tantos anos! O resultado, porém, não po­dia ter sido melhor: nunca a vira mais feminina e atraente.

Mas quem seria aquele rapaz que as acompanhava, cuja con­versa parecia entretê-las? Parado ali na entrada, observou-os de longe por alguns segundos e, quando viu o estranho afastar os cabelos de Beatriz com a ponta dos dedos, achou que já era hora de se aproximar.

Ensaiou um sorriso e, certo de que seria bem recebido, foi logo chegando e puxando uma cadeira:

— Desculpe a demora, mas é que tive uns negócios para resolver. — Ignorando o estranho, esticou o braço e recolocou os cabelos de Beatriz no mesmo lugar onde estavam antes que Nicolás os tivesse afastado: — Você cortou os cabelos? Fi­cou bom. O que fizeram com os cortados? Eu bem que poderia levar para Inezita para ela me fazer um tapete.

Júlia sorriu, enquanto Beatriz, imóvel, procurava recu­perar a fala.

— Sempre brincalhão, Armando.

Nicolás pigarreou, e Júlia desculpou-se por ter se esquecido das apresentações.

— Armando, este é Nicolás Mora, filho de uma amiga minha; Nicolás, este é Don Armando Mendoza, aparentado de meu último marido.

Armando apenas inclinou a cabeça e voltou-se para Júlia:

— Tenho certeza de que sou muito mais para você do que um simples parente afastado! — comentou, bem-humorado, apertando a mão de Beatriz. — Eu e Beatriz fomos praticamente criados juntos, não é, Betty?

— Claro — ela concordou. — Nem sei quantas vezes já o ouvi dizer que somos como irmãos.

Nicolás sorriu, com ares de triunfo:

— Ainda bem. Por um minuto cheguei a pensar que estaria atrapalhando alguma coisa.

Armando, furioso, lançou-lhe um olhar letal, enquanto apertava a mão de Beatriz com mais força.

— Como assim?

Inconsciente do ciúme que provocava, Nicolás sorriu de mo­do descontraído.

— É que Júlia me convidou para passar uns dias na fazenda e achei que seria bom conhecer Beatriz um pouco melhor.

— Se eu fosse você, reconsideraria essa decisão — disse Armando, criando uma atmosfera pesada.

Desesperada, Beatriz sorriu.

— Ele está sempre tentando me proteger, Nicolás, mas acho que todo irmão mais velho age assim, não é?

Armando percebeu a indireta e, sorridente, beijou-lhe a mão, olhando-a bem fixamente nos olhos.

— Só que não somos irmãos de verdade.

A resposta deixou-a encantada e fez disparar-lhe o coração. No entanto, logo o deslumbramento cedeu lugar à raiva. Que coragem! Armando não a queria como namorada, no entanto não permitia que nenhum outro rapaz se aproximasse dela com segundas intenções.

Então, encolhendo a mão, voltou-se para Nicolás, toda sorrisos:

— Ele é muito brincalhão. Não se preocupe, Nicolás, tere­mos muita satisfação em hospedá-lo.

Jamais mentira com tanto cinismo, pois pouco lhe importa­va que nunca mais voltasse a vê-lo. Porém, ao reparar na fisio­nomia de Armando, convenceu-se de que o sacrifício valera a pena.


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