Ei!, espera aí Isso aqui NÃO é um mangá!

Ei!, espera aí! Isso aqui NÃO é um mangá! Vai começar a ler a nossa estória pelo final? Se você quer lê-la com sentido, clique aqui e vá para o primeiro... "capítulo” (que é do dia 02/04/2014). Depois... é só clicar em "Postagem mais recente" (do lado esquerdo, no rodapé de cada página!) ou... deslizar o dedo (também para a esquerda), como se estivesse virando uma página de um livro!!!).Então!, boa leitura! (e... espero que goste!!!)

domingo, 20 de abril de 2014

Seria uma pena escondê-lo


— Não seja exagerada, Betica, é claro que nos veremos antes da quarta pela manhã. — Então, segurou-a pelos ombros e sacudiu-a de leve: — Hoje, vou realmente estar ocupado com uns negócios, mas amanhã arrumo um tempinho para vocês.

— Quanta generosidade — ela murmurou, revoltada, vendo-o deixar o hotel.

De fato, mãe e filha não o viram mais aquele dia, e Beatriz não saberia dizer se a ideia de encontrá-lo para o café na manhã seguinte a agradava ou não. O consolo era saber que seria apenas para o café e depois ele as deixaria em paz pelo resto do dia.

— E então? Como foram as compras ontem? — Armando indagou-lhes, na manhã seguinte, durante o café. — Consegui­ram limpar as lojas, ou ainda resta alguma coisa para se com­prar nesta cidade?

Beatriz o olhou com a testa franzida e deixou a conversa por conta de Júlia. Depois de ter passado a noite quase toda em claro, imaginando onde ele estaria, não acordara muito bem-humorada.

— Que exagero! — exclamou Júlia, divertindo-se. — Na verdade, só fomos a uma loja ontem. O resto ficou para hoje.

— Ah, bom! Por acaso fazem ideia de onde estarão por vol­ta de meio-dia? Se me for possível, gostaria de apanhá-las para irmos almoçar juntos.

Beatriz intrometeu-se na conversa:

— Não acho que seja uma boa ideia. Não temos noção de onde estaremos, e você vai perder muito tempo nos procurando.

No entanto, nem bem acabara de falar, e Júlia a contradis­se, dando a Armando uma ideia bem detalhada de onde encontrá-las. Desolada, Beatriz suspirou e voltou-se para Armando:

— Já que insiste, por que não deixa que nós duas vamos ao seu encontro? Você iria se aborrecer conosco nas lojas.

Para seu desespero, aquela viagem não estava saindo con­forme planejara. A ideia era transformá-la de garota simples de calça jeans em uma mulher sofisticada e bem-vestida, mas isso era impossível tendo-o em seu encalço o dia todo.

Armando, no entanto, achou graça.

— Não se preocupe, Betica, eu dificilmente me aborreço e pro­meto não espiá-la no provador.

Beatriz teve vontade de dar-lhe uma resposta atravessada, mas ter boas maneiras também fazia parte do plano. Desde que sua mãe inventara aquela viagem, sabia que teria de come­çar a agir como uma perfeita dama e, assim, quem sabe o fizes­se vê-la com outros olhos? Portanto, engoliu a resposta e continuou a tomar café.

Uma hora mais tarde, Beatriz e Júlia estavam confortavelmente instaladas numa das lojas mais elegantes de Cartagena. A sala onde se encontravam tinha as paredes verde-claras e o carpete um tom mais escuro. A mobília, em estilo francês, era estofada em verde e cinza. Mas a atração principal da loja era o desfile de moda que organizaram para que os clientes pudes­sem escolher melhor os modelos exibidos pelas manequins.

Beatriz, a uma certa altura, curvou-se para frente e murmurou:

— Mamãe, você não espera que eu encontre alguma coisa aqui, não é? Cada vestido desses deve custar uma fortuna!

— Pois já é hora de você ter uns vestidos mais elegantes, que­rida — Júlia respondeu, impaciente, prestando atenção na ma­nequim à sua frente.

— Mas, mamãe, eu não quero...

— Que bobagem, filhinha — Júlia insistiu, recusando-se a ouvir-lhe os protestos. Então, voltou-se para a vendedora: — A senhora não tem algo um pouco mais decotado? Minha filha tem um colo muito bonito e seria uma pena escondê-lo.


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