O movimento suave do corpo dela de encontro ao seu o excitou e, mais uma vez, ele relembrou a si próprio de que se tratava de Betty. No entanto, o corpo dele parecia ter vontade própria e reagia involuntariamente à proximidade dela. Se não conseguisse se conter, logo, logo iria se ver numa situação embaraçosa.
Então, soltando-a, pigarreou e indagou:
— Será que já podemos conversar sobre o que houve? Por que, queira ou não, teremos de discutir o assunto, cedo ou tarde.
Desiludida com o fim daquele sonho, Beatriz sentou-se e arrumou a blusa.
— Não creio que haja mais nada a dizer. Sei que nenhum de vocês quis me ofender; eu devia ter me afastado quando os ouvi conversar. Mas fiquei tão chocada quando ouvi mencionarem meu nome... Isto é, nunca pensei que...
— Eu sei. A ideia nunca me ocorreu. Não sei como Roberto foi pensar numa loucura dessas, mas eu tinha certeza de que, passado o choque inicial, você concordaria comigo. Agora é só uma questão de mostrarmos a Roberto que ele está enganado.
Beatriz sentiu seus ânimos se exaltarem. O que estava prestes a dizer, antes que ele a interrompesse, era que jamais pensara que ambos tivessem aquele tipo de conversa.
— E como sugere que façamos isso?
Armando deu de ombros:
— Não sei. Acho que o melhor é continuarmos agindo naturalmente, deixando claro que somos apenas amigos.
Beatriz pensou bem sobre a questão e então disse, com amargura, após um longo suspiro:
— Assim, como se eu fosse apenas mais um garoto da turma.
A resposta dela o desconcertou, fazendo-o ver que a magoara.
— É... Ouça, sei que não tenho sido muito lisonjeiro com você, mas é que...
— Pois saiba que não quero ser adulada, Don Armando Mendoza — ela respondeu, furiosa. — E se pensa que fico magoada com seu comportamento, saiba que está enganado. Aliás, jamais pensaria em me casar com um sujeito como você, que usa suas namoradas e depois as abandona.
— Ei, espere aí! — O comentário de Beatriz o atingiu como uma bofetada, Armando ainda não se julgava preparado para o casamento, nem com ela, nem com ninguém, mas sempre contou com sua admiração e lealdade. — Você fala como se eu fosse um cafajeste, desses que se divertem em partir corações.
— Se a carapuça lhe serve...
— Você está sendo injusta! — ele protestou, já perdendo a paciência. — Trabalho dezesseis horas por dia naquela fazenda e ainda cuido de outros negócios; como acha que tenho tempo para namorar? E quando saio com uma garota para me divertir, ela sabe exatamente o que tenho em mente! Portanto, não se trata de enganar ninguém.
— Nesse caso, vocês dois deviam se envergonhar!
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