Quando ambas saboreavam o coquetel de camarões servido como entrada, um rapaz louro, de estatura mediana, aproximou-se da mesa. Beatriz ergueu o rosto e o fitou com interesse. O rapaz era de fato muito bonito e tinha uma fisionomia vagamente familiar; porém, se o tivesse visto antes, na certa o reconheceria. Seu coração podia pertencer a Armando, mas isso não a tornava indiferente à beleza dos outros moços.
Porém, o rapaz em questão parecia mais interessado na mãe dela, e só ao ouvi-lo se apresentar foi que Beatriz percebeu que já o conhecia.
— Tia Júlia, que prazer em vê-la! Eu a teria reconhecido em qualquer lugar, pois continua bonita como sempre foi.
— Nicolás! Como vai, querido? Sente-se. Pena que sua mãe não tenha podido vir também, mas foi muito gentil de sua parte ter aceitado o convite.
Júlia voltou-se para Beatriz com um sorriso amplo:
— Você se lembra de Nicolás Mora, não é, querida? Ele é filho de Tilly, minha melhor amiga. Nicolás Mora
Beatriz sabia perfeitamente quem eram os dois:
— Oi, Nicolás! — cumprimentou-o, enquanto o rapaz se sentava a seu lado. — Há quanto tempo...
— Tempo demais — ele comentou, admirando-a com olhos muito brilhantes. — Você está linda.
Beatriz percebeu que enrubescera, mas manteve-se firme. Já era mais do que tempo de aumentar seu círculo de amizades masculinas.
— Obrigada, Nicolás, é muita gentileza.
— Não se trata de gentileza, eu lhe garanto. — Então, reparando em suas mãos, quis saber: — Você já se casou?
Ela balançou a cabeça numa negativa e olhou para Júlia, que ria a valer.
— Gosto de rapazes diretos e objetivos — disse, dando uns tapinhas nas costas de Nicolás. — Sabia que este jantar ia ser um sucesso.
— Mamãe, por que você não me contou que teríamos companhia?
— Não contei? Ah, devo ter esquecido! Pena que Tilly tivesse outro compromisso, mas, por sorte, Nicolás pôde vir.
— Não perderia o convite por nada deste mundo — Nicolás admitiu prontamente.
— Ele trabalha com incorporação e venda de imóveis. Não é interessante, filha?
Beatriz limitou-se a assentir, sem uma palavra.
— Aliás, estou à procura de uma boa propriedade na região onde vocês moram. O grupo para o qual trabalhamos quer desenvolver uma estação de esqui supersofisticada, algo realmente fora do comum e, para tanto, precisamos de uma propriedade num condomínio fechado, com boas instalações. Júlia, você não estaria interessada em vender a sua?
— Não! — Beatriz apressou-se em esclarecer. — Nós não estamos interessados, não é, mamãe?
Mas, para seu espanto, Júlia não descartou a ideia de pronto e meditou em pouco sobre a questão.
— Mamãe, nós não queremos vender, não é?
— Para ser franca, não sei... Mas confesso que gostaria de pensar melhor no assunto.
Então, voltou-se para o convidado:
— Tenho uma ideia: por que não vem nos visitar, Nicolás? Você poderá dar uma olhada na propriedade e me dar sua opinião. Ao mesmo tempo, teremos muito prazer em tê-lo como hóspede, não é, Beatriz?
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