Ei!, espera aí Isso aqui NÃO é um mangá!

Ei!, espera aí! Isso aqui NÃO é um mangá! Vai começar a ler a nossa estória pelo final? Se você quer lê-la com sentido, clique aqui e vá para o primeiro... "capítulo” (que é do dia 02/04/2014). Depois... é só clicar em "Postagem mais recente" (do lado esquerdo, no rodapé de cada página!) ou... deslizar o dedo (também para a esquerda), como se estivesse virando uma página de um livro!!!).Então!, boa leitura! (e... espero que goste!!!)

sábado, 12 de abril de 2014

Beatriz temia que jamais mudasse


Mas Júlia estava distante, perdida em pensamentos.

— Acho que vou telefonar para Don Roberto...

— Não! — Beatriz suplicou, levantando-se da cadeira. — Por favor, não. Prometa que não vai comentar com ninguém o que acabamos de conversar.

— Mas, por que não? Francamente, minha filha, não consi­go entendê-la. Só estou querendo ajudar.

— Por favor, não. Eu dispenso qualquer ajuda. Não há na­da que você possa fazer, portanto poupe-me o embaraço. Promete?

— Está bem, está bem; se é assim que você prefere. Mas acho que está cometendo um erro; uma conversinha franca poderia esclarecer tudo.

— Obrigada, mas não posso aceitar.

— Contudo, imponho uma condição — disse Júlia, deixan­do a filha apreensiva.

— Diga.

— Você tem de ir ao aniversário de Don Armando.

— Mamãe!

— Se quiser que eu prometa silêncio, terá de me prometer que irá à festa. Naturalmente, você vai precisar de um vestido novo. Talvez um penteado diferente também ajude. Afinal, esse rabo-de-cavalo a torna muito infantil, E então? Negócio fechado?

Domingo à tarde, Beatriz estava mais deprimida que nunca: sua mãe já fazia planos mirabolantes para a grande viagem de compras que fariam aquela semana, com o intuito de modifi­car seu guarda-roupa. Não que Beatriz desaprovasse a ideia, pois, no fundo, gostaria de comprar umas roupas mais femini­nas. Mas, e se não desse certo?

Recostada contra um carvalho, distraída, jogava pedrinhas na água de um pequeno lago natural. Durante os anos de in­fância, ela, Armando e Mário Calderón — um colega de escola — haviam passado horas maravilhosas ali. Os dois gostavam de sua companhia e sempre a traziam para pescar. Pena que com o tempo tudo tivesse se modificado...

Agora, Beatriz raramente se encontrava com Mário e, embora visse Armando com freqüência, tudo entre eles havia mu­dado. Tudo, exceto a atitude dele em relação a ela. Isso, Beatriz temia que jamais mudasse.

Será que um guarda-roupa novo faria alguma diferença?, indagava-se com incredulidade. E se ele a achasse ridícula ten­tando se fazer passar por uma moça sofisticada? Jamais suportaria tanta humilhação.

O vento assobiava por entre as folhas do carvalho e os ga­lhos dos pinheiros, e só quando Armando chegou bem perto foi que Beatriz ouviu o trotar de seu cavalo. Calada, viu-o descer do animal, com um movimento rápido, e soltar as rédeas. Am­bos sabiam que Lombardi não se afastaria dali.

— Eu sabia que a encontraria aqui — ele revelou, sorriden­te, ao sentar-se ao lado dela.

Olhando-o de relance, Beatriz voltou a fixar o olhar num ponto longínquo do horizonte e encolheu as pernas apoiando os braços sobre os joelhos.

— Não sabia que estava à minha procura — disse, desejan­do que ele não a tivesse encontrado para roubar-lhe o sossego.

— Ainda bem, senão teria escapado — Armando brincou. — Freddy me contou que a viu nesta direção; então, logo imaginei que tivesse rumado para cá. Aliás, eu não me surpreenderia se a en­contrasse mergulhando nua; não seria a primeira vez.

— Mas seria certamente a última — ela garantiu, desviando o rosto corado.

— Ora, por quê? — Armando quis saber, provocando-a. — Eu com certeza ficaria fascinado com sua beleza.

— Não tenho tanta certeza assim — Beatriz revidou, empurrando-o carinhosamente. A proximidade dele a per­turbava.

— A última vez em que a vi nadando nua confesso que fi­quei muito impressionado.

— Não diga bobagens; eu só tinha doze anos!

— Mas já prometia transformar-se numa moça linda.

— Vamos mudar de assunto? — ela sugeriu. — Ou melhor: por que você não vai embora e me deixa em paz?

— Sinto muito, mas é impossível.

— Por quê?

Ele se acomodou melhor, estirando-se sobre a grama, puxou o chapéu sobre os olhos e cruzou os braços sob a nuca.

— Eu e Lombardi estamos exaustos.

Beatriz olhou para o garanhão cinzento que pastava ao lado de sua égua. Cavalo e cavaleiro, ambos eram belíssimos e formavam uma dupla sem igual. Seus olhos fixaram-se em Armando, ali a seu lado, e uma onda de calor aqueceu-a. Murmu­rando algo incompreensível, apanhou um galho seco, começou a quebrá-lo em pedacinhos e atirá-los no lago.

Armando caiu na gargalhada.

— Ora, você não está sendo nem um pouco gentil, Betty. Isso é jeito de me recepcionar? Deveria estar grata por Freddy ter me dito onde encontrá-la.

— Puxa, que sorte a minha! — exclamou com ironia, dese­jando esganar o capataz.


------------------
------------------------------
------------------------------------------


Nenhum comentário:

Postar um comentário