Enquanto seguia pelas estradinhas tortuosas que já lhe eram tão familiares, Beatriz recordava-se da conversa que entreouvira.
Era inútil tentar enganar-se dizendo a si própria que jamais pensara em se casar com Armando. Tinha-o como um verdadeiro herói desde os dez anos de idade, quando sua mãe se casou com Don Hermes Pinzón, um parente distante dos Mendoza, e todos vieram morar ali entre as montanhas belíssimas do Bogotá. Apaixonou-se por Armando e pela paisagem assim que pôs os pés ali, e havia doze anos que seu amor por ambos permanecia inalterado. Os quatro anos que passara longe dali, na universidade, haviam sido um castigo.
Mas, mesmo apaixonada, tinha consciência dos defeitos de Armando. O pior deles, a seu ver, era a preferência por mulheres adultas e experientes, O que foi mesmo que ele dissera a respeito dela? Ah, que a julgava muito imatura... Que humilhação! Era inexperiente, sim, mas e daí? Poderia ter tido uma vida sentimental bastante agitada, caso tivesse desejado aproveitar as oportunidades que lhe haviam surgido, mas, para ela, qualidade era mais importante do que quantidade. Orgulhava-se de ter passado quatro anos na universidade, longe da família; sem nunca ter ido para a cama com um rapaz.
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