Ei!, espera aí Isso aqui NÃO é um mangá!

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sábado, 5 de abril de 2014

Por que não o notara antes?

Roberto tinha razão: o corpo, antes franzino, adquirira contor­nos arredondados e femininos. Por que não o notara antes?

Beatriz sentiu o sangue ferver-lhe nas veias, ao ser sub­metida àquela apreciação. O olhar atento de Armando percorria-lhe as curvas como se a desnudasse. Por fim, acabou perdendo a paciência e apoiou as mãos na cintura. Que petulância!

   Afinal, Don Armando, você precisa ou não da minha ajuda? — E, sentindo o rosto arder, percebera quanto fora infeliz na escolha das palavras. No entanto, prosseguiu; — Senão, vou fa­lar com Inezita — anunciou, pronta para abrir a porta da cozinha.

   O quê?! — O tom frio de Betty o trouxe de volta à rea­lidade. Absolutamente constrangido, abaixou o olhar e censurou-se pelo que havia feito. — Ah, não, não! Pode ir — garantiu, mas, antes que ela se afastasse, segurou-a pelo braço e a dete­ve: — Bem, Betty... isto é, aconteceu alguma coisa?

— Ora, imagine, Don Armando, que bobagem!

E, dando-lhe as costas, abriu a porta de vaivém que separa­va a cozinha do corredor, sem se importar em segurá-la para que ele passasse.

Armando continuou imóvel, no exato lugar onde estava. Franzindo a testa, ponderou sobre a hipótese de ela tê-los ouvido. Com certeza não teria gostado do modo como Roberto falara a respeito dela, a não ser, é claro, que se importasse com a opinião dele sobre suas qualidades de boa esposa. Mas algo lhe dizia que não era o caso.

Puxando o chapéu sobre a testa, torceu para que aquelas sus­peitas não tivessem fundamento, pois detestaria tê-la magoado.

Por outro lado, caso ela os tivesse ouvido, já estaria a par da ideia maluca de Roberto e trataria de se precaver, porque tam­bém a ela a ideia devia parecer totalmente absurda.

Mais animado, entrou na cozinha com um sorriso confiante, disposto a esclarecer de vez o mal-entendido.

   Onde está Betty? — perguntou, desapontado.

   Aqui ela não está — respondeu Inezita, afastando os ca­belos que lhe haviam caído sobre a testa.

   Eu sei disso. Quero saber para onde ela foi.

   Como posso saber? — ela revidou, como de costume, sem se intimidar diante do patrão. — Por acaso pareço um computador?

Rindo da pergunta, ele se aproximou e beijou-lhe carinhosa­mente as bochechas.

   Não, Inezita, você não se parece com um computador, mas é tão divertida quanto eles!

   Ora, seu moleque! Mais respeito comigo! Olhe que eu tro­quei suas fraldas e exijo que me trate com mais consideração! — disse brincando.

   Inezita, Inezita...

   E dê o fora daqui, senão vou ser obrigada a servir só uma sopa no jantar.

   Ah, essa não! — ele respondeu, divertindo-se. — Se é as­sim, irei embora já.


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