Ei!, espera aí Isso aqui NÃO é um mangá!

Ei!, espera aí! Isso aqui NÃO é um mangá! Vai começar a ler a nossa estória pelo final? Se você quer lê-la com sentido, clique aqui e vá para o primeiro... "capítulo” (que é do dia 02/04/2014). Depois... é só clicar em "Postagem mais recente" (do lado esquerdo, no rodapé de cada página!) ou... deslizar o dedo (também para a esquerda), como se estivesse virando uma página de um livro!!!).Então!, boa leitura! (e... espero que goste!!!)

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Algo mais sério e profundo


Conformada, Beatriz deixou-se afundar na poltrona frente à escrivaninha e gemeu, pois sabia que sua mãe falava sério. Quando algo a intrigava, Júlia ia ao fundo da questão, a qual­quer custo.

— Está bem, já que você insiste. Esta manhã, escutei uma conversa particular entre Don Roberto e Armando.

— Beatriz, você ficou escutando conversa alheia?

— Sim, fiquei — confessou, encabuladíssima.

— Que ótimo! — Júlia exclamou batendo palmas. — Va­mos, conte logo. O que foi que você ouviu?

Inconformada, Beatriz balançou a cabeça e riu. Apesar de ela ter seus vinte e dois anos, a mãe ainda conseguia surpreendê-la. Podia jurar que Júlia fosse lhe passar uma descompostura; no entanto, lá estava ela, curiosíssima, sentada na ponta da poltrona.

Tirando partido da situação, resolveu ir direto ao assunto:

— Don Roberto quer que Armando se case comigo.

Júlia arregalou os olhos e pulou da cadeira.

— Que maravilha! Sempre o julguei um homem de bom sen­so. E quando será o casamento?

Diante de tanto entusiasmo, Beatriz arrependeu-se da tá­tica, pois não julgava que Júlia levasse a coisa tão a sério.

— Não, mamãe, você não entendeu. Não haverá casamento nenhum.

— Como? Por que não? — ela indagou, indignada. — Você disse que Don Roberto quer.

— Mas Armando não.

Júlia ficou pasma.

— Não? Como não?

Beatriz não conseguiu encará-la e desviou o olhar.

Se você não se importa, prefiro não discutir o assunto. Além disso, eu não me casaria com Armando, mesmo que ele quisesse.

— Ora, não seja tola! Claro que vocês vão se casar! Há tem­pos que se amam. É só uma questão de tempo, e Don Armando vai aca­bar amadurecendo. Ele precisa se estabelecer na vida.

As palavras de Júlia deixaram Beatriz encabulada, pois nunca imaginara que sua mãe soubesse daquela paixão; não ela, sempre tão avoada.

— Ele ainda não se julga preparado para o casamento, ma­mãe e, mesmo que se julgasse, eu seria a última mulher por quem se interessaria.

— Não seja ridícula, ele sempre teve uma queda por você.

Beatriz teve vontade de mudar de assunto, mas sabia que não conseguiria.

— Sim, ele gosta de mim, mamãe, mas como irmã; não co­mo amante. Portanto, desista da ideia. Finais felizes só acon­tecem nos seus livros.

— Não há nada de errado com meus livros.

— Claro que não — Beatriz esclareceu rapidamente —, são os melhores no gênero. Só que não condizem com a reali­dade. Na vida, as coisas nem sempre acontecem como planejamos. Confesso que fui apaixonada por Armando, quando era mais jovem, mas hoje, que sou adulta, a situação é outra.

E não se preocupou em explicar que a paixonite juvenil transformara-se em algo mais sério e profundo.

— Querida, não diga bobagens — aconselhou Júlia. — Creia em mim: vocês dois foram feitos um para o outro.

— Mamãe, você está se esquecendo de uma coisa: eu ouvi os dois conversarem e sei que Don Roberto não pode obrigá-lo a se casar comigo. Armando deixou bem claro que é contra a ideia e alegou que... Bem, que... prefere uma esposa da mesma ida­de que ele e mais experiente do que eu. — Lutando contra o ímpeto de chorar, ensaiou um sorriso falso. — Portanto, não alimente ilusões.


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