Ei!, espera aí Isso aqui NÃO é um mangá!

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domingo, 13 de abril de 2014

Tínhamos medo de que você nos proibisse


No entanto, caindo em si, percebeu que não estava sendo jus­ta. Afinal, como Freddy poderia adivinhar que ela não queria ver seu velho amigo de infância?

— Conheço muita gente que gostaria de estar em seu lugar.

— Gosto não se discute — ela replicou, sem se deixar levar pelo bom humor de Armando.

Por sorte, ela havia puxado o chapéu sobre os olhos, pois Beatriz mal conseguia disfarçar seu desejo. Seria muito hu­milhante se ele percebesse o que se passava em seu íntimo, pois já o ouvira confessar que o interesse por ela era puramente fra­ternal.

Armando esticou um braço e puxou-lhe a trança com força:

— Vamos, Betty, você pode se abrir comigo. Sei que não gostou do que Roberto disse, mas não foi culpa minha. Não po­díamos imaginar que você estivesse escutando.

Mais uma vez ela ficou encabuladíssima. Armando nunca fora de rodeios e falava exatamente o que lhe vinha à mente, sem me­dir as palavras.

— Tem razão. E agora que já disse o que queria, por favor, me deixe em paz. Lombardi já descansou um pouco e prefiro ficar sozinha.

Com um gesto rápido, Armando tirou o chapéu, jogou-o sobre a grama e lançou-lhe um olhar hostil.

— É, aposto que sim. Sua casa deve ser um inferno: Júlia passa o dia trancada no escritório e os empregados trabalham até o entardecer!

A ironia de Armando a deixou furiosa. Beatriz virou-se para fitá-lo e fuzilou:

— Pare de brincar comigo, Armando Mendoza! Não sei se já percebeu, mas sou uma pessoa adulta e tenho o direito de ficar sozinha quando quero. E, caso não saiba, esta propriedade é minha e eu agradeceria muito se você caísse fora daqui!

— Ei! Calma aí! — ele exclamou, recusando-se a levá-la a sério. — Você pode estar brava, mas não precisa ser grosseira. Sei muito bem que esta propriedade é sua, afinal, por que acha que eu e Mário antigamente concordávamos em trazê-la co­nosco? Tínhamos medo de que você nos proibisse de vir pescar no melhor lago da região.

Surpresa, Beatriz sentiu os olhos encherem-se de lágrimas e desviou o rosto. Armando não respeitava nem mesmo suas boas recordações de infância. Sempre achara que os dois a convidavam para pescar por gostarem de sua companhia.

— Entendo — admitiu, lutando para que as lágrimas não lhe corressem pelas faces, fazendo-a passar por um vexame.

Mas Armando percebeu que a magoara e procurou corrigir-se:

— Ei, mocinha — disse num tom afetuoso —, eu só estava brincando. — Endireitando-se, sentou-se na grama e a fez encará-lo. Vendo-a chorar, praguejou baixinho e abraçou-a, trazendo-a consigo ao deitar-se novamente na relva. Aninhando-a contra o peito, protegeu-a como se fosse uma criancinha, dando-lhe uns tapinhas amistosos nas costas. — Betty — disse, com voz rouca —, você sabe que sempre a quis muito bem. Você e Mário são meus melhores amigos.

Mas, em seu íntimo, Beatriz não se sentia como uma crian­ça, e não era nada consolador saber que ele a tinha como simples amiga de infância. Apoiando a cabeça nos ombros fortes dele, deitou-se sobre seu peito e encheu os pulmões, inalando o aroma delicioso da colônia que Armando usava.


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