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quinta-feira, 1 de maio de 2014

Entre Armando e Beatriz


Beatriz ergueu o rosto e reparou naqueles lindos olhos azuis cintilantes.

— Mário Calderón! Não acredito! É você mesmo?

Às gargalhadas, Beatriz puxou-lhe a barba castanha.

— Em carne e osso, Betty, querida. E, agora, que tal um outro beijinho para o seu companheiro de pescaria?

E, sem esperar pela permissão, beijou-lhe os lábios.

Não foi um beijo de amor, tampouco foi fraternal, e Beatriz corou violentamente. Mário sempre fora arrojado, mas nunca a esse ponto. No entanto, apesar de surpresa, não ficou chateada. Afinal, era bom saber que conquistara a admiração de pelo menos um colega de infância. Mário certamente não a via mais como uma menina!

Porém, antes que pudesse desvencilhar-se do abraço, a mão de alguém pousou-lhe no ombro, puxando-a.

— O que está acontecendo aqui? — Armando quis saber, enca­rando o melhor amigo.

Beatriz puxou-lhe a manga do paletó.

— Armando, é Mário. Ele deixou a barba crescer.

— Sei perfeitamente quem é — Armando respondeu. — Só não sei por que Mário estava te maltratando.

Beatriz nunca o vira tão furioso e chegou a temer pela sorte de Mário.

— Armando, ele não estava me mal...

— Fique fora disso, Betty. Este é um caso entre mim e ele.

Mário, inabalável, sorriu para a amiga:

— Ele tem razão, garota. Há anos que eu e Armando estamos nesta disputa, e acho que ainda não conseguimos chegar a um acordo. Só que no momento não estou a fim de estragar meu terno novo. Também não me parece justo esmurrá-lo em plena festa de aniversário.

— Ah! Sempre bancando o engraçadinho, não é, irlandês? E que novidade é essa de falar com sotaque? Você nunca foi disso.

Mário deu de ombros:

— Acabo de voltar de uma visita à Irlanda. Meus pais pas­sam a metade do ano por lá, agora, e acho que peguei o sota­que de novo. — E piscou para Beatriz: — Além disso, parece que as garotas gostam.

Armando estava prestes a perder o controle e puxou Beatriz para trás de si.

— Não tente aplicar nenhum de seus truques com ela, eu ju­ro que vai se arrepender!

— Claro, claro! Mas lembre-se de que não quero estragar meu terno.

Armando começou a se sentir ridículo: como alguém podia que­rer brigar com um sujeito tão simpático como Mário?

— Betty, querida — disse Mário. — Se nosso amigo brutalhão quebrar a minha cara, você promete que me põe no seu colo e me faz um curativo?

Agora já era demais; aquilo era pura provocação!

— Olhe aqui, Mário, estou lhe avisando...

— Vocês dois querem, por favor, se comportar... — disse ela.

Naquele instante, Nicolás os interrompeu:

— Desculpe-me, cavalheiros, mas ainda não tive oportuni­dade de dançar com minha acompanhante. Com licença, sim?

E, pondo-se entre Armando e Beatriz, conduziu-a gentilmente pelo braço até o centro da sala.


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