O sol já estava alto quando batidas fortes à porta do quarto a despertaram. Mal abria os olhos quando Armando entrou
— Armando — ela murmurou, afastando os cabelos do rosto. — O que você está fazendo aqui, no meio da noite? Aconteceu alguma coisa com Roberto?
Armando balançou a cabeça numa negativa, deslumbrado com a beleza de Beatriz: os cabelos revoltos espalhavam-se sobre o travesseiro, os lençóis desarrumados indicando que tivera uma noite tão agitada quanto a dele, os olhos embaçados de sono...
— Que eu saiba, Roberto está mais firme que nunca. E fique
sabendo que já é quase meio-dia. Levante-se, preciso falar com você. Beatriz o amava, mas não suportava tanta arrogância.
— E isso lhe dá o direito de entrar no meu quarto sem bater e me tirar da cama? Quem você pensa que é?
Frustrado, Armando suspirou. Por que Beatriz tinha de ser tão contraditória?
— Sou Armando, seu amigo, e quero falar com você. E não precisa ficar tão exaltada por eu ter entrado aqui; esta não é a primeira vez.
— Mas isso foi há muito tempo; as coisas mudaram.
— Mudaram como?
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