Ei!, espera aí Isso aqui NÃO é um mangá!

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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Você se lembra de como prefiro


Beatriz estava de pé, junto ao balcão da cozinha, prepa­rando uns sanduíches para levar à pescaria, quando alguém bateu de leve à porta dos fundos. Em seguida, Mário surgiu, sorridente:

— Posso entrar? Isto é, não vou perturbá-la?

Antes que Beatriz pudesse responder, Mário foi empur­rado e entrou aos tropeções. Logo atrás, veio Armando, com o cha­péu na mão, fazendo o possível para sorrir de modo inocente, como se não tivesse feito nada.

Mário comentou:

— Sinto muito, querida, bem que tentei escapar e vir sozi­nho, mas nosso amigo é esperto e insistiu em vir junto. Sugeri que ele fosse ajudar os rapazes na cocheira, mas Armando não me deu ouvidos. — Então, fingindo-se de desolado, abanou a ca­beça e afirmou, num tom de quem pede desculpa: — É uma pena, confesso que sou um covarde. Ele ameaçou me agredir se eu não o deixasse vir, portanto acabei concordando.

— Mas, como é que você se acovardou, Mário? — ela per­guntou, entrando no espírito da brincadeira.

— Pois veja só, não tive outro jeito. E, agora, o que faze­mos? Devemos deixá-lo vir conosco ou vamos contar tudo pa­ra a sua mãe?

Beatriz olhou de um para o outro e, por fim, suspirou de modo teatral:

— Bem, detestaria ter de entregá-lo a mamãe, portanto va­mos ter de agüentá-lo.

— Está bem, está bem — Armando interrompeu. — Agora que vocês dois já se divertiram bastante, o que acham de irmos embora?

— Preciso de um tempinho para fazer mais uns sanduíches; só fiz o suficiente para dois — Beatriz avisou.

Então, apanhou duas fatias de pão integral e começou a pas­sar manteiga.

— Betty — disse Armando, vacilante —, daria para fazer mais uns dois? É que ainda não comi nada hoje e estou morto de fome.

Achando graça no pedido, ela pegou mais fatias de pão.

— Você ainda não comeu hoje? Não é de se admirar que es­teja com fome. Foi uma pena não ter ficado para o café da ma­nhã comigo e mamãe; os ovos estavam deliciosos, e sobrou bastante. O cozinheiro deve ter achado que precisávamos en­gordar um pouco, ou então planejou juntar-se a nós, mas mu­dou de ideia.

— Ora, não sabia que vocês duas tinham arranjado um co­zinheiro — Mário comentou.

— Não há cozinheiro nenhum; Betty está me provocando.

Armando sorriu ao vê-la espalhar mostarda sobre a carne e disse:

— Pelo visto, você se lembra de como prefiro meu sanduíche.

A Ideia de que ela procurava agradá-lo, o que era de fato ver­dade, deixava-o satisfeito, mas Beatriz não deu o braço a torcer e simplesmente encolheu os ombros:

— É que eu gosto assim e me lembrei de que Mário tam­bém, por isso resolvi caprichar na mostarda. Mas agora que você falou, recordo-me de que você também preferia os seus deste jeito quando saíamos para pescar.

Armando conteve-se para não perder o controle. Sabia que ela es­tava fazendo de tudo para provocá-lo, o que, aliás, tornara-se o esporte favorito de Beatriz nos últimos dias. Caso contrá­rio, por que haveria de fingir que se lembrava das preferências de Mário, quando havia tantos anos que não o via? Só havia uma explicação: estava tentando mostrar que mudaria seu tra­tamento com relação a ele e já não lhe dava a mesma impor­tância de antes.

Pois, se era isso que ela queria, tanto melhor. Tinha certeza de que ocupava um lugar muito mais importante do que o de Mário na vida dela. Era seu protetor, seu guia, seu melhor amigo. Afinal, por que se intrometera naquele passeio se não para defendê-la dos avanços de Mário?

Sem se dar conta de que Armando se remoia, Beatriz continuou preparando o lanche. Depois de preparados os sanduíches, colocou-os na mochila que prenderia à sela do cavalo e acrescentou três maçãs e um pacote de biscoitos de chocolate.

Então, tirou da geladeira uma caixa com seis latas de cerveja e colocou-a sobre o balcão.

— Um de vocês vai ter de carregar isto. Não tenho mais lu­gar na minha mochila.

Antes que Mário se oferecesse, Armando se adiantou:

— Onde estão seus refrigerantes?


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