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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Enquanto me recupero?


— Betty, querida, ele me deu um murro e tanto. Posso apoiar minha cabeça no seu colo enquanto me recupero?

— Seu fingido! — Armando exclamou, vendo-a segurar-lhe a ca­beça com ternura. — Você sabe muito bem que nem empreguei toda a minha força. Agora, veja se levanta e age como homem!

— Ora, seu... bárbaro! Por acaso ele seria mais homem se ficasse de pé e o deixasse esmurrá-lo de novo?

— Mas, Betty, será que você não percebe que é fingimen­to? Além disso, não sei por que ficou tão brava comigo; eu só estava tentando protegê-la.

— Tentando me proteger? — ela repetiu, sem crer no que ouvia. E, sobretudo nas atitudes de Armando: ele parecia ter perdi­do o juízo. — É assim que você queria me proteger? Pois eu estava muito bem, até que você chegou. Agradeço e dispenso seus cuidados. Você nunca foi disso; por que essa bobagem, agora?

Embevecido com tanta beleza, Armando a fitava maravilhado com o pensamento distante.

— Eu lhe fiz uma pergunta.

— Bem, é que... droga, eu sempre me importei com você. Só que agora o inimigo é outro.

E lançou um olhar letal para o amigo, que assistia a tudo imó­vel no chão.

— Não existe inimigo nenhum, seu boboca! — ela alegou, um pouco mais calma. A sinceridade dele a desconcertara; era bom saber que Armando se julgava responsável por sua segurança.
— Mário é nosso amigo, e me admira que você faça mal juí­zo dele. Fique sabendo que não preciso de ninguém para me proteger! Não sou mais garota, sou mulher!

Mas, antes que Armando pudesse responder, Nicolás chegou ao terraço e os interrompeu.

— Beatriz, meu bem, o que houve? Deixe-me ajudá-la.


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