Enquanto os rapazes bebiam cerveja, Beatriz sempre preferira refrigerantes.
— Pensei em acompanhá-los na cerveja — ela informou.
— Você vai beber cerveja? — Armando perguntou, com um riso incrédulo.
— Não sei por que esse espanto — respondeu, jogando a mochila sobre os ombros. — Aprendi a gostar de cerveja. E não se preocupe com o fato de eu beber, pois não sou mais menor de idade.
E, pondo fim à conversa, apanhou a esteira que estava enrolada sobre uma cadeira e rumou para a porta, sem esperar pelos companheiros.
Armando tomou-lhe a esteira das mãos e perguntou, desconfiado:
— Para que você está levando esta esteira?
Abrindo a porta, ela sorriu por sobre os ombros:
— O que você acha? Por acaso pensa que vou tentar seduzir nosso colega?
Mário aproximou-se e tirou-lhe a mochila das costas, erguendo-a com facilidade. Então, abraçou Beatriz pela cintura e murmurou, num tom que Armando pudesse ouvir:
— Não se preocupe, meu bem. Podemos enrolá-lo na esteira e soltá-lo no lago. Aí você vai poder me seduzir à vontade. Prometo que não vou reclamar.
— Quanta generosidade! — Beatriz comentou, rindo, ao se soltar disfarçadamente daquele abraço. — Mas acho melhor não o eliminarmos por completo. Roberto pode ficar triste.
— Podem reclamar à vontade, mas eu não desisto de acompanhá-los. Para ser sincero, fiquei magoado por não ter sido logo convidado.
— Ah... coitadinho! — Beatriz brincou, abraçando-o pela cintura. — Não foi nossa intenção magoá-lo. É que da última vez que o vi você não estava de muito bom humor, pensei que estivesse zangado comigo.
Vê-la desfazer-se de Mário para vir abraçá-lo deixou-o superfeliz e, num gesto súbito de posse, passou-lhe um braço pelos ombros e puxou-a para junto de si:
— Isso nunca, meu bem. Tomarei conta de você até o dia em que eu morrer.
Beatriz ficou sem palavras. Será que Armando realmente falara a sério? Mas Mário, como sempre, levou tudo na brincadeira:
— Puxa, ia ser um bocado estranho. Isto é, daqui a algum tempo ela vai se casar, e o marido dela pode não gostar da ideia.
— Por acaso está falando em causa própria? — Armando insinuou. — Porque, se estiver, já vou avisando que farei o possível para detê-lo.
— Ora, ora, o que há de mal num possível namoro entre eu e Betty? Somos amigos há tantos anos, gostamos um do outro e posso perfeitamente tomar conta dela tão bem quanto você. Melhor, até. Ela talvez nunca receba uma proposta tão boa quanto a minha.
Chegando à cocheira, Beatriz apanhou a mochila e prendeu-a à sela, sorrindo para Mário:
— É isso que eu mais admiro em você: a modéstia.
* * * * * * * * * *
Já montados, os três seguiram pelo caminho que conduzia ao pequeno lago da propriedade. A certa altura, onde a trilha se estreitava, Armando tomou a dianteira, como nos velhos tempos, enquanto Beatriz era a segunda, seguida por Mário. Pela primeira vez ela se deu conta de como os dois realmente sempre haviam se preocupado em protegê-la. Sempre a trataram com igualdade nas brincadeiras, mas sem nunca se esquecerem de que era uma garota.
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