Então, quando os dedos dele começaram a descrever pequenos círculos em sua pele, Beatriz concluiu que melhor ainda seria não demonstrar sua raiva de maneira nenhuma,
Porém, o orgulho levou-a a aprumar os ombros e esquivar-se daquelas carícias.
— Se eu soubesse do que você está falando, talvez pudesse ajudá-lo.
Aquela atitude o magoou e, ignorando-a, Armando tornou a tocá-la da mesma forma.
— Não me venha com indiretas e rodeios, não fica bem para uma garota tão delicada como você.
— Ah, quer dizer que não estou me portando como uma dama, não é? E como você queria que eu me portasse quando continuo a ser tratada como uma menina?
Essa nova tática de Armando — olhares dóceis, maneiras gentis, carícias — a desconcertava, e Beatriz ficou sem ação quando sentiu-lhe as mãos deslizarem por sobre o tecido do vestido. Arrepiada, procurou concentrar-se no que falava, e não no que ele fazia, sem tentar esquivar-se, já que a primeira tentativa não fora bem-sucedida.
Envolvido pela beleza dela, Armando, inconscientemente, manteve uma das mãos onde estava, enquanto com a outra acariciava-lhe o rosto aveludado.
— Desculpe-me Betty. Você é uma dama. E, embora eu sinta falta daqueles nossos tempos de infância, admito que se transformou numa mulher muito, muito bonita.
Beatriz ficou pasma. Armando jamais lhe falara daquela forma, como se realmente a levasse a sério. Poucos centímetros os separavam, e o hálito morno dele lhe tocava o rosto.
— É mesmo? — perguntou, vacilante, umedecendo os lábios com a ponta da língua. — Você me acha bonita?
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