Beatriz não permitiu que aquelas palavras frívolas a magoassem e resolveu abordar a questão com a mesma displicência:
— Não me lembro de haver me declarado perdidamente apaixonada por você, Armando. E, se é assim que você pensava, reconheço que é muito mais egocêntrico do que eu imaginava. Você tem toda razão: nós nos conhecemos bem demais... E, agora, por que não vai me esperar na cozinha? Se ninguém tiver feito o café, por favor, ponha a água para ferver. Estou louca por um café bem quente.
Armando assentiu, raciocinando sobre o que ela dissera anteriormente sobre se conhecerem demais. De fato, era assim que pensava, mas, vindo dos lábios dela, a ideia não o agradava. Ainda assim havia uma esperança.
— O mesmo acontece com você e Mário, não é? Quero dizer, você o conhece desde criança e na certa não iria se interessar por ele. A não ser como amigo, claro. — E aguardou ansioso pela resposta. Não suportava a ideia de que houvesse algo mais, além de amizade, entre Beatriz e Mário.
Seria impressão dela, ou Armando estava com ciúme? Disfarçando seu contentamento, Beatriz sentou-se na cama, sorrindo, e abraçou os joelhos.
— Ah... não sei. Com Mário é diferente. Ele viveu muitos anos longe daqui e mudou muito. Claro que guardo recordações dele como meu amigo de infância, mas acho que exatamente por este motivo é que nosso reencontro torna-se mais interessante. Mário amadureceu, está adulto, compreende?
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