Sem voltar-se ela o fitou pelo espelho. O modo como Armando a olhava fazia disparar-lhe o coração. Nunca vira aquele brilho em seus olhos. Por um momento, chegou a pensar que ele estava de fato atraído por ela; não como amigo de infância mas como um homem!
Porém, balançando a cabeça, descartou a ideia, estava farta de ouvi-lo dizer que a considerava uma irmã, que não a queria como namorada, que não estava disposto a se casar.
— Você estava me procurando?
Armando pigarreou, tentando ganhar tempo para organizar os pensamentos. Por que era tão difícil conversar com ela, se eram amigos há tantos anos?
— Sim — gaguejou, vendo-a pentear os cabelos e fingindo ignorá-lo.
Por fim, seu temperamento impaciente falou mais alto. Como Beatriz ousava ignorá-lo? Nervoso, cobriu a distância que os separava a passos largos e, segurando-a pelos ombros, obrigou-a a encará-lo.
— Diabos, Betty, você não está facilitando em nada as coisas para mim!
Beatriz ergueu o rosto e o fitou, já prestes a tirar-lhe as mãos dos ombros, no entanto o calor reconfortante daquele toque a fez mudar de ideia. Seria melhor mostrar sua indignação de outra forma.
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