Para a própria surpresa, Beatriz estava se divertindo muito na festa. Apesar de a principio não ter desejado ir e de Armando ter feito de tudo para aborrecê-la, agradava-lhe saber que fazia sucesso entre os rapazes e que a cada dança tinha um novo parceiro. E, ao contrário do que Armando insinuara, todos a tratavam com o máximo respeito.
A festa estava na verdade ótima pelo fato de nem por um segundo sequer Armando deixar de observá-la, a distância, com ares de censura. Só para provocá-lo, tinha prazer em rir bem alto nos braços de seus parceiros, deixando evidente que suas ofensas não a haviam aborrecido nem um pouco.
Beatriz já havia perdido a conta de quantas músicas dançara, quando, ao final de mais uma, encontrou Mário aguardando-a para a próxima.
— Ah... — comentou, radiante. — Que bom, é você.
— Ah... — ele repetiu, divertindo-se. — Finalmente você me viu, não é? Aliás, de todos com quem você já dançou, reconheça que sou o mais bonito, o mais gentil.
A companhia agradável de Mário a fazia rir com incrível facilidade.
— Ora, seu convencido! Espero que não se incomode com esta pausa, mas estou exausta e fiquei sem jeito de pedir um descanso para os outros rapazes.
— Por mim, tudo bem. Aliás, é até um alívio, pois acho que Armando não hesitaria em me quebrar a cara se nos visse dançando.
— Exagerado! Vamos tomar um drinque lá fora?
Já havia diversos outros casais no terraço, desfrutando da brisa agradável que soprava. A lua cheia lançava seus raios azulados sobre as encostas das montanhas, formando sombras misteriosas sobre os vales. Era uma noite ótima para namorar, mas Beatriz dava-se por feliz com a companhia alegre de Mário.
— E então? O que você tem feito ultimamente, Mário? — ela quis saber ao se recostarem contra a mureta de pedra que cercava o terraço. — Há tempos que não o vejo por aqui.
Mário fez uma pausa antes de responder e lançou-lhe um olhar sério.
— Tempo demais, Betty, querida. Muita coisa aconteceu durante a minha ausência. Você, por exemplo, transformou-se numa linda mulher.
— Você também mudou, Mário — disse Beatriz, tocando-lhe a barba com carinho. — Por que deixou a barba crescer?
Brincalhão, Mário tirou-lhe a mão do rosto.
— Mais respeito, garota. Não sei se sabe, mas hoje em dia sou considerado um bom partido.
— Imagine só! — exclamou, revirando os olhos.
— Ah, você não acredita? Já vou lhe provar a fama que tenho.
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