Ao ouvi-la pronunciar seu nome, a raiva se dissipou. Ali de pé, Armando olhou-a ajoelhada e concluiu que nunca a vira tão bela e tão furiosa. A saia subira, deixando à mostra as longas pernas bem torneadas, envoltas em meias de seda. Os cabelos se desprenderam do coque, caindo-lhe pelos ombros muito alvos, e os olhos estavam brilhantes de ódio.
— Betty... eu... — E ofereceu a mão para ajudá-la a se levantar. Beatriz, no entanto, afastou-a com um gesto violento.
— Não me toque, Don Armando Mendoza! — preveniu enunciando pausadamente cada sílaba da frase. — Você já passou do limite. Acho que, por hoje, chega!
Olhando para o amigo caído, apoiado num cotovelo, ela perguntou, com carinho:
— Mário, você está bem? Esse brutamontes não o machucou? — E passou um braço pelas costas dele. — Venha, deixe-me ver.
— Você está maluca! — Armando gritou, inconformado, vendo-a acariciar o rosto de Mário. — Como pode me chamar de brutamontes, quando ele é mais alto e mais pesado do que eu?
— É o temperamento, e não o tamanho, que está em questão — ela explicou, num tom gélido. — Mário, deixe-me ver se você está machucado.
Mário gemeu, manhoso.
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