Armando e Mário, absolutamente pasmos, assistiram à cena sem um comentário. Segundos depois, passado o choque inicial, Mário voltou-se para o amigo:
— O que me diz dessa?
— Nada! Minha vontade é ir lá e acabar com aquele sujeitinho!
— Tenho certeza de que sim, mas seja razoável: a ocasião não é das melhores. Além de estragar os móveis e o smoking, acabaria com a festa. Por que não me deixa pagar-lhe um drinque? Estou certo de que um bom uísque irlandês cairia bem.
— Nós não temos uísque irlandês e também não cobramos pelas bebidas! — Armando murmurou, enquanto rumavam para o bar disposto perto da porta da cozinha.
Mário respirou fundo, fingindo-se contrariado:
— Bem, neste caso, acho que um escocês serve.
Já servidos, recostaram-se contra o balcão e observaram os casais dançando. Armando logo pousou o olhar na figura delicada de Beatriz sendo guiada por Nicolás. Inconformado, suspirou e tomou um gole da bebida.
— Ela está crescendo, Mário — admitiu.
— Já cresceu, meu caro. Betty já é uma mulher adulta.
O humor de Armando começava a melhorar, mas logo se lembrou do motivo da briga que tivera com o amigo.
— Por falar nisso, você não chegou a explicar por que a beijou daquele jeito. Ainda estou me controlando para não lhe quebrar a cara.
— Como queira — Mário provocou, num tom amistoso, parecendo divertir-se com a situação. — Eu não cheguei a explicar porque ninguém me pediu explicação.
— Pois estou pedindo agora.
— Bem, para ser franco, estava cumprimentando uma velha amiga, a quem não via há muito tempo, e confesso que me diverti um bocado. Nossa Betty transformou-se numa linda mulher.
— Não fale assim dela! — Armando avisou, esvaziando o copo num só gole, enquanto pedia ao garçom mais uma dose.
— Não seja idiota, meu caro, eu não a forcei a nada. Estávamos nos divertindo bastante, até que você veio nos interromper.
— Não me provoque, Mário; já estou bastante nervoso!
— É, já percebi. E me lembre de lhe mandar uma garrafa de um uísque que preste, isto aqui é uma droga. Mas, diga-me: por acaso já parou para pensar por que o fato de eu tê-la beijado o desagradou tanto?
Armando tomou mais um trago.
— Ela é como uma irmã para mim, e não gosto de ver ninguém se aproveitando de Betty.
Mário ergueu uma sobrancelha, e seus olhos azuis brilharam, divertidos.
— Como uma irmã, é?
— Sim, como irmã! — respondeu Armando, irritado. Então, caiu em si e pediu: — Ora, Mário, não me obrigue a discutir com você. — Armando não estava disposto a conversar com ninguém sobre seus sentimentos em relação a Beatriz. — Você parece outro homem, sabia?
Percebendo a mudança de assunto, Mário sorriu:
— Como já disse, as garotas parece que gostam do sotaque e da barba. Ah, Armando, meu velho! Lembra-se de nossos tempos de escola?
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