Ei!, espera aí Isso aqui NÃO é um mangá!

Ei!, espera aí! Isso aqui NÃO é um mangá! Vai começar a ler a nossa estória pelo final? Se você quer lê-la com sentido, clique aqui e vá para o primeiro... "capítulo” (que é do dia 02/04/2014). Depois... é só clicar em "Postagem mais recente" (do lado esquerdo, no rodapé de cada página!) ou... deslizar o dedo (também para a esquerda), como se estivesse virando uma página de um livro!!!).Então!, boa leitura! (e... espero que goste!!!)

domingo, 25 de maio de 2014

No mesmo instante em que falava


Apesar de tudo, a cena que presenciou ao chegar à cozinha sensibilizou-a. Júlia estava sentada à mesa, visivelmente abatida, enquanto Armando, com um avental amarrado à cintura, picava um pedaço de presunto sobre a frigideira cheia de ovos mexidos. O cheiro estava delicioso, e Beatriz sentiu o estômago roncar.

Num gesto impulsivo, aproximou-se por trás dele e, abraçando-o pela cintura, apreciou o aspecto apetitoso da comida,

— O cheirinho está ótimo. Espero que você também coma um pouco, pois precisa recuperar as forças.

Furioso, ele se voltou para fitá-la e esquivou-se daquele abraço.

— Agora já chega, Betty. Esta brincadeira pode acabar mal. Pare antes que se arrependa.

— Não seja tão dramático, Armando.

Ele, inconformado, suspirou fundo e virou-se de novo para o fogão.

— Juro que não sei o que houve com você, Betty, nem parece a mesma: seu jeito de falar, suas roupas, seu comportamento, tudo mudou. A quem está tentando impressionar?

— Bem... qualquer um que cruze o meu caminho — respon­deu, de modo casual. — Afinal, a idade vai chegando, e já é hora de eu me casar para construir família.

— Pois não precisa olhar para mim — defendeu-se Armando com a costumeira indelicadeza. — Não estou a fim de me casar tão cedo; ainda tenho muito tempo para me divertir.

No mesmo instante em que falava, Armando imaginou uma cena feliz, com Beatriz sentada numa sala, cercada por duas crian­ças e um bebê no colo. Porém, por mais emocionado que ficas­se, algo dentro de si refutava a ideia.

Havia muitos e muitos anos que Beatriz o considerava a figura masculina mais importante de sua vida, e Armando não gos­taria de perder esse privilégio. Porém, por outro lado, também não gostava das sensações novas que ela vinha lhe despertan­do. Seu desejo, ao vir visitá-la pela manhã, era encontrá-la nu­ma velha calça jeans, camisa de flanela, cabelos presos numa trança, assim como nos velhos tempos.

No entanto, o que aconteceu? Encontrou-a quase nua na ca­ma e, agora, ela continuava mais feminina do que nunca na­quele vestido, acendendo-lhe a chama do desejo. E mais: dera para provocá-lo abertamente, mesmo na presença da mãe.

Arrependido por estar ali na casa dela, maldisse a hora em que saíra da cama!

— Desculpe, Armando, mas lembre-se de que você não é o único rapaz solteiro que conheço — disse Beatriz, ao apanhar os pratos no armário para pôr a mesa. — Há Nicolás, por exemplo. Aliás espero que tenha feito uns ovos para ele, também. Nicolás sempre acorda com fome.

Armando retrucou algo em voz baixa, mas ela fingiu não ouvir.

— E também tem Mário. Ele vem me encontrar esta tarde para irmos pescar. — Então, ocorreu-lhe uma ideia brilhante: — Há Roberto também. Se você não está disposto a aumentar a família, aposto que ele está.

Júlia engasgou com o café, e Beatriz deu-lhe uns tapinhas nas costas. Já a reação de Armando foi mais radical:

— Meu pai?! Você se casaria com meu pai?! Você deve es­tar louca!

Ela deu de ombros:


— Nada disso. Só o mencionei porque ele está disponível, e sei que me acha bonita. Qual o problema, caso venha me tor­nar sua madrasta? — E, aproximando-se, acariciou-lhe o rosto.

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