Ei!, espera aí Isso aqui NÃO é um mangá!

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domingo, 4 de maio de 2014

Não até aquela noite


Armando olhou espantado para o pai.

— Não tenho negócio nenhum a tratar com esse almofadi­nha da cidade grande!

— Ouvi dizer que ele quer comprar nossa propriedade.

— Ele não tem jeito de fazendeiro. Com certeza já falou que nossa fazenda não está a venda, não é?

— Sim, para ser franco, falei, mas mesmo assim ele quer con­versar com você. Pelo visto, pensa que, por ser mais jovem, talvez você seja mais aberto a sugestões. Mas num ponto você tem razão: ele não entende nada de fazendas!

— Então o que ele quer com a propriedade?

— Quer transformá-la numa estação de esqui supermoderna.

— Jamais! — Armando explodiu, atraindo a atenção de vários convidados mais próximos.

— Calma, rapaz — disse Roberto batendo-lhe de leve no om­bro. — Não queira fazer escândalo; você só precisa chegar e dizer não. O rapaz ainda vai ficar esta semana na casa de Júlia, e é melhor você ir vê-lo qualquer dia. Aqui não é lugar para discutir negócios.

— Ainda assim a ideia não me agrada. Se eu soubesse disso, teria destruído os planos dele logo que nos conhecemos, em Cartagena. — E franziu as sobrancelhas. — E, se eu soubesse que ele ia ficar dando em cima de Betty desse jeito, teria feito de tu­do para que não aceitasse o convite de Júlia. Esse tipo de coi­sa só pode prejudicar a reputação da garota.

Roberto deu de ombros:

— Não sei, não. Júlia me contou que Betty ouviu nossa conversa aquele dia, quando sugeri que vocês se casassem, e fi­cou muito magoada. Aliás, eu a entendo; você foi um bocado indelicado. Acho que ela faz muito bem em flertar com aquele moço; pelo menos ele sabe lhe dar valor.

A expressão de Armando tornou-se ainda mais sombria.

— Não seja ridículo. Betty não é do tipo que se deixa se­duzir por um monte de baboseiras. — Armando fazia força para acre­ditar no que dizia, porém era difícil. Noutros tempos, teria sido mais fácil, mas, agora, vendo-a rir e divertir-se nos braços de Nicolás, não havia argumento que o convencesse. — E não pense que fui só eu que a magoei, pois você falou umas coisas bem pouco lisonjeiras a respeito dela.

Roberto reconheceu que o filho tinha certa razão e coçou o queixo.

— Vou me desculpar pessoalmente na próxima vez que a vir. Mas o que mais me magoa é que todo esse mal-entendido a in­dispôs contra nós e, segundo Júlia, Betty está pensando seriamente em voltar para Cartagena com esse... almofadinha.

A novidade atingiu Armando em cheio.

— Mas ela nem o conhece direito! Não, eu não acredito. Betty não faria isso.

Pelo menos, esperava que não. E o que Roberto queria dizer com "a indispôs contra nós"? Ele e Beatriz podiam ter suas di­vergências de opinião, mas nunca chegaram a discutir ou bri­gar. Pelo menos, não até aquela noite.

— Não é bem assim; o rapaz é filho de uma amiga de Júlia. Ele e Beatriz se conhecem desde crianças.

— Pois eu e ela também nos conhecemos há anos.

— E daí? — Roberto indagou, torcendo o bigode.

— E daí que não vou permitir que ninguém a importune.

E com isso fez menção de seguir em direção à pista, onde Beatriz dançava com Nicolás.

Roberto o deteve:

— Vá com calma, meu filho. A música terminou, mas a pró­xima é de Mário. Com ele, Betty estará em boas mãos. Afi­nal, são velhos amigos.

— Não sei, não — Armando murmurou, mal-humorado, olhan­do com malícia para o amigo.


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