Ei!, espera aí Isso aqui NÃO é um mangá!

Ei!, espera aí! Isso aqui NÃO é um mangá! Vai começar a ler a nossa estória pelo final? Se você quer lê-la com sentido, clique aqui e vá para o primeiro... "capítulo” (que é do dia 02/04/2014). Depois... é só clicar em "Postagem mais recente" (do lado esquerdo, no rodapé de cada página!) ou... deslizar o dedo (também para a esquerda), como se estivesse virando uma página de um livro!!!).Então!, boa leitura! (e... espero que goste!!!)

terça-feira, 3 de junho de 2014

Não conseguiria viver em nenhum outro lugar

— O nome dele é Nicolás Mora, Armando — corrigiu-o. — E acho que ele deve estar visitando alguma outra propriedade por aí. Afinal, Nicolás não está de ferias.

— Isso quer dizer que Júlia desistiu de vender a fazenda? — Armando quis saber.

— Não sei. Já tentei conversar com ela sobre esse assunto, mas minha mãe sempre escapa. Já lhe disse a minha opinião a respeito disso, mas ela acha que nunca vou conseguir um marido morando aqui neste fim de mundo. — E deu de ombros. — Roberto foi visitá-la hoje, e os dois ficaram conversando no es­critório por mais de uma hora. Ele é o único capaz de fazê-la mudar de ideia.

— Bem, caso não consiga fazê-la mudar de ideia quanto á venda, pelo menos pode convencê-la a vender para nós, em vez de Dora. Aliás, a fazenda fazia parte da propriedade origi­nal dos Mendoza, mas papai acabou amolecando e vendeu aquela parte para Hermes. Acho bastante justo que Júlia nos dê a preferência.

— Pois espero que ela não venda as terras para ninguém. Não conseguiria viver em nenhum outro lugar.

— Nem eu. Detestaria ver nossas terras nas mãos de es­tranhos.

Beatriz estudou-lhe a fisionomia, por algum tempo e co­mentou:

— Você fala como se reprovasse o fato de Roberto ter vendido uma parte para Hermes. Pois saiba que essa parte das terras não lhe pertence mais, Armando.

Como Armando não respondesse, Beatriz prosseguiu:

— Talvez, se nada disso tivesse acontecido, eu jamais tives­se vindo morar aqui para azucriná-lo, não é?

Armando olhou-a, assustado.

— Não seja ridícula.

— Eu não sou ridícula.


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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Seu marido vai ser um sujeito de sorte

Ao pegar a lata das mãos de Armando, Beatriz sorriu por cau­sa da provocação. Por um momento, seus olhares se cruzaram, e ela viu muito mais do que uma expressão divertida naqueles lindos olhos negros. Havia algo mais intenso, difícil de expli­car. Mas um ligeiro pigarrear de Mário quebrou aquela magia.

Ela então sorriu e tomou um gole.

— Ora, tomar cerveja não é nenhuma façanha, Armando. É uma das primeiras coisas que se aprendem ao entrar no segundo grau.

— Para ser franco, foi a segunda coisa que aprendi.

Beatriz sentiu que enrubescia e ficou furiosa. Era uma rea­ção natural dela, incontrolável, mas que muito a incomodava.

— Betty, por acaso não a vi colocar uns picles no lanche? — Mário quis saber. — Eu adoro picles.

Mentalmente, ela agradeceu a ele pela interrupção. Mais al­guns segundos, e acabaria se atirando nos braços de Armando, o que, afinal, não estava em seus planos.

— Claro, aqui está.

— Você é um amor de garota. Seu marido vai ser um sujeito de sorte.

Armando ouvia a tudo calado. Detestava vê-la servir o amigo com tanta presteza. Então, resolveu opinar:

— Você tem personalidade; não é como essas que concor­dam com tudo o que o marido fala.

— Tem toda razão — respondeu Mário, pensativo. — Aliás, jamais me casaria com uma garota boboca, sem opinião pró­pria. E você, Armando, que tipo de garota prefere?

— As de personalidade marcante.

— Alguém assim como Betty?

— Exatamente! — exclamou, entusiasmado. Porém, ao ver a expressão radiante de Betty, recriminou-se por ter se exaltado.

Não esperava que ela tomasse suas palavras como um comen­tário pessoal. Então, achou por bem mudar o rumo da conversa:

— Tivemos sorte em despistar Dinorah Dora esta tarde, não? Pensei que ele fosse se meter onde não fora chamado.

Mário caiu na gargalhada:

— Tem razão, teria sido péssimo se ele tivesse vindo, não é?

A ironia do amigo atingiu Armando em cheio. Sabia que Mário se referia à sua aparição sem convite.

Beatriz percebeu a intenção de Mário e ficou satisfeita, mas preferiu não pressionar Armando. Naquele momento, alegrava-lhe saber que era o tipo de garota que o atraía, caso estivesse pensando em se casar.


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domingo, 1 de junho de 2014

O modo possessivo com que Mário a tocava


Beatriz desmontou e começou a desenrolar a esteira.

— Meu velho, suas palavras realmente tocaram o meu cora­ção — declarou, tentando brincar, embora falasse sério.

— Mais respeito, sim, garota? Fico magoado em saber que você não me leva a sério.

— É exatamente por levá-lo a sério que estou brincando. Só agora percebo como nossa amizade me é importante.

Mário também desmontou e, de pé ao lado dela, obrigou-a a fitá-lo:

— Tem razão, minha cara. Mas não se prenda ao passado, quando ainda temos todo um futuro pela frente. Só Deus sabe o que ele nos reserva.

Para Armando, aquilo já era demais. Apesar de se identificar com o que os dois falavam, sentia-se meio rejeitado, excluído do gru­po. Tampouco lhe agradava o modo possessivo com que Mário a tocava. Não gostava das promessas que ele lhe fazia.

Seria engano dele? Será que Mário não estava apenas brin­cando, divertindo-se em provocá-lo? Porém, e se ele estivesse realmente interessado em Betty? Torcia para que isso nunca acontecesse, mas era o tipo da coisa imprevisível.

Mas não: algo em seu íntimo lhe garantia que Beatriz e Mário não eram feitos um para o outro. Não, faria de tudo para impedir que Mário continuasse a avançar.

Então, vendo Mário prestes a beijar os lábios dela, inter­rompeu:

— Não sabia que você tinha deixado de escrever guias de pesca para escrever romances, Mário. Você e Júlia deviam se juntar e trocar ideias.

Mário balançou a cabeça:

— O fato de eu ser um rapaz romântico não quer dizer que tenha trocado de carreira. É o temperamento irlandês.

— Entendo.

— O dia está muito bonito, e não vou permitir que nada des­trua meu bom humor. Então, por que não deixa de bobagens e se diverte como nós dois?

Vendo Armando vacilar diante do convite, Beatriz desviou o assunto:

— Mário, você só escreve sobre pesca. Então, tire umas fé­rias e venha pescar — comentou, estendendo a esteira. — Não se cansa de fazer sempre a mesma coisa?

— Até agora, não — garantiu ele, pondo a mochila sobre a esteira. — Gosto de unir o útil ao agradável, a vocação e o lazer.

Beatriz estendeu uma toalha sobre a esteira e começou a tirar a comida da mochila.

— Acho que por enquanto isso é o ideal para você, mas e quando decidir se casar? Não acha que as viagens podem atra­palhar?

Mário sentou-se na beirada da esteira e cruzou as pernas.

— No momento não me preocupo muito com isso, mas acho que quando tiver minha família vou procurar levá-los comigo sempre que possível. Ou, como Armando bem sugeriu, largo os guias e começo a escrever romances.

Armando não gostava do interesse que Beatriz demonstrava pe­los planos do amigo e teve de se conter para não perder a pa­ciência. O melhor era não lhe dar motivos para considerá-lo um brutamontes. Tirando as cervejas da caixa, sentou-se ao lado de Beatriz.

— Imaginação é o que não lhe falta — disse, ao abrir uma lata para si. Então, quando já ia levá-la à boca, viu Mário desembrulhar um sanduíche e oferecê-lo a ela. Agiu imediatamente: — Tome, Betty! Você disse que aprendeu a gostar de cerveja, então mostre-nos.

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